São Paulo - Isabella Oliveira Nardoni, de 5 anos, foi espancada. Essa foi a conclusão de peritos criminais e médicos-legistas envolvidos na apuração do caso depois de reunião anteontem no Instituto Médico-Legal (IML). As fotos tiradas durante a necropsia foram exibidas a peritos médicos e criminais, além de especialistas.
Os indícios de que a menina foi espancada são vários. Desde o primeiro exame no cadáver, médicos-legistas constataram no cérebro uma pequena hemorragia comumente presente em casos descritos pela Medicina Forense como Síndrome da Criança Espancada.
A menina tinha na cabeça um ferimento que sangrou e uma lesão cervical que pode indicar esganadura (usar as mãos para apertar o pescoço). Entretanto, a suspeita maior dos peritos é que ela tenha sido sufocada. A asfixia faria parte do processo de violência a que a criança foi submetida. Apesar de todas as análises realizadas, ainda não foi definida a causa da morte da menina - asfixia ou a queda do 6º andar.
Parentes, vizinhos e curiosos lotaram a igreja Nossa Senhora da Candelária, onde foi celebrada a missa de sétimo dia, anteontem. Segundo a sacristã Laurinda Rodrigues, o lugar nunca esteve tão cheio em 75 anos de existência.
A mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, 24, que faz aniversário hoje, sentou na primeira fila, vestida com uma camiseta branca com a foto da filha e a inscrição ''Isabella, pra sempre nossa estrelinha''. Ela abraçou cada amigo ou parente que lhe cumprimentou. Às vezes, conseguia sorrir; outras, chorava.
Masatoka e Keiko Ota, pais do menino Ives Ota, assassinado aos 8 anos após um sequestro em agosto de 97, compareceram à cerimônia.
Eles levaram uma faixa -''Isabella, Ives está com você''-, se apresentaram a Ana e ganharam um lugar ao lado dela.
Antes da missa, o atual namorado de Ana Carolina, que se identificou apenas como Júnior, pedia que fotógrafos e repórteres se afastassem. ''É uma menina de 24 anos, que está em estado de choque por perder uma filha de cinco anos. Ela não aguenta mais'', disse.

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