Curitiba - O resultado da perícia realizada no computador apreendido pela Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública que investiga as mensagens com conteúdos pornográficos e de apologia às drogas que teriam sido repassadas via servidor da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB) apontou que, tecnicamente, as mensagens não poderiam ter sido enviadas do equipamento. A perícia foi feita por três técnicos da Central de Inquéritos que acenaram com a possibilidade de as mensagens terem saído do próprio servidor da CNBB.
Ontem o advogado da CNBB, Marino Galvão, e o gerente de Informática da entidade, Eduardo Nogueira, estiveram na Redação da Folha, em Curitiba, mas ainda não tinham tido acesso ao laudo técnico realizado no computador. O relatório dos técnicos mostra que o equipamento periciado não tinha capacidade técnica para ter enviado as mensagens. ''Dependendo do resultado, vamos recorrer a medidas jurídicas'', disse o advogado.
Ao contrário do que a Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, divulga, o advogado diz que Eduardo Nogueira não pode ser citado como suspeito no caso. Segundo Galvão, no dia 1º de julho, o próprio gerente de Informática teria dado a queixa na delegacia, depois que a CNBB ter sido avisada de que mensagens com conteúdos ilícitos estavam sendo repassadas com o endereço virtual da entidade.
O advogado esclareceu que os conteúdos das mensagens eram apenas de pornografia, conforme citado no inquérito que ele apresentou, e não de pedofilia, como foi divulgado indevidamente no início das investigações. Desde que o caso veio à tona, a reportagem da Folha obteve as informações com a delegacia que investiga o caso.
Depois de denúncia realizada por Eduardo Nogueira à delegacia, o delegado Guaraci Joarez Abreu passou a investigar a origem das mensagens. Com a quebra de sigilo obtida judicialmente do usuário do provedor Terra, que poderia ter transmitido os e-mails, a delegacia chegou ao computador de Juliano Todeschini Júnior. Como Juliano está no Rio de Janeiro há cinco meses, conforme levantado pela polícia, o irmão dele, Gustavo Todeschini de Andrade, foi chamado para depor.
A polícia descobriu que Eduardo Nogueira havia prestado serviços no computador utilizado por Gustavo, informação contestada por Eduardo Nogueira (leia matéria nesta página). O equipamento foi apreendido e o laudo técnico concluído ontem.
Segundo a perícia, o controlador de rede no caso a CNBB tem autonomia para bloquear o recebimento e o repasse de e-mails indesejados, conforme apontado em documento da Associação Brasileira de Empresas de Software, a que os que peritos tiveram acesso.

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