Perícia comprova racha entre carros
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terça-feira, 26 de agosto de 1997
Edmara Michetti 
Londrina
Laudo do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina, divulgado ontem, revela que os dois veículos envolvidos no atropelamento e morte da estudante Vanessa Maia, 18 anos, atingiram uma velocidade de 158 km/hora. O laudo deve ser encaminhado hoje pela manhã ao delegado de trânsito, Valter Martins Lemos, que preside o inquérito.
Vanessa Maia foi atropelada pelo Gol conduzido por Marcelo Matos Coutinho, 21 anos. O atropelamento foi na BR-369 (avenida Tiradentes), zona oeste da Cidade, na madrugada do dia 15. Vanessa tentava atravessar a pista depois de descer do ônibus. A estudante morreu no local.
Os exames realizados pelos peritos da Criminalística revelam que o Gol e o Escort XR3 conduzido pelo autônomo Edmar Mattos, 24 anos, estavam um atrás do outro quando partiram do sinaleiro na altura da Companhia Cacique. Logo depois, de acordo com o laudo, o Gol se posicionou lateralmente com o Escort, permanecendo nessa posição por três segundos. Essa intenção de ultrapassagem, segundo o chefe-adjunto do IC, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, indica a motivação competitiva - segundo ele, o termo técnico para racha.
O estudo psicodinâmico do acidente, segundo Geraldo Oliveira, mostra que Vanessa atravessava a pista a 2 metros por segundo. Quando ela entrou no campo de visão do Escort, o veículo - que estava a 19 metros da estudante - começou a desacelerar, caindo para 144 km/hora até atingir os 62 km/h finais. Segundo o estudo psicodinâmico, o barulho da frenagem atraiu a atenção de Vanessa, que parou praticamente no meio da pista. O Gol, explica Geraldo Oliveira, fez duas tentativas para evitar a colisão.
De acordo com o laudo, o Gol tentou primeiro fugir da estudante, desviando pela lateral. Ao perceber que não daria, começou a frear. Mas, nesse momento, afirma Oliveira, o Gol estava muito próximo da vítima - a dois metros de distância - e não conseguiu evitar o atropelamento. Vanessa foi levada por 200 metros em cima do capô do Gol, de acordo com o laudo, até cair na frente do carro. A razão do não sucesso do Gol foi o excesso de velocidade, diz Oliveira.
O ponto do atropelamento, segundo o laudo, oferece o máximo de visibilidade por ser o final de uma subida e começo da reta, quando a visão se abre. O Gol, afirma Oliveira, estava a uma velocidade entre 100 e 120 km/hora quando atingiu Vanessa. Mesmo na menor aceleração do Escort, ele já estava dois quilômetros por hora de excesso, já que a velocidade permitida na via é de 60 km/hora, ressalta Oliveira. Os exames também comprovam que o Gol não estava turbinado.
O delegado Lemos afirmou ontem no final da tarde que aguardava o laudo para anexá-lo ao inquérito. Ele ressaltou que provas materiais e testemunhais têm a mesma importância num inquérito policial. Hoje o delegado pretende ouvir o bombeiro Cícero, que teria sido o primeiro a prestar socorro à vítima. Ele aguarda também o depoimento de Erivelto e Alessandro, que estavam com Coutinho no Gol. Entre as testemunhas ouvidas até agora, Lemos diz que as principais são Ricardo da Silva e Maykon José de Oliveira, que declararam ter visto os dois motoristas chamando para o racha, na gíria automobilística.
Os dois motoristas declararam à Polícia que estavam a uma velocidade média de 70 km/hora e negaram o racha. O advogado de Coutinho, João Sabec, não acredita que um Gol sem turbina, como o de seu cliente, pudesse desenvolver a mesma velocidade de um Escort XR3. Talvez meu cliente ou o outro motorista estivesse em excesso de velocidade, mas tenho certeza que não estavam disputando racha, disse o advogado.
Sabec afirma que hoje deve marcar o depoimento dos dois acompanhantes de seu cliente. O chefe do Instituto Médico Legal (IML), Antonio Carlos Queiroz, também pretende encaminhar hoje ao delegado o laudo de necrópsia.


