Perguntas apuram permuta de livros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de outubro de 1997
Osmani Costa Londrina 
Quantos registros de doações, permutas ou alienações de livros e outros bens públicos constam dos arquivos da Biblioteca Pública de Londrina? Com quem foram feitas as permutas ou quem adquiriu ou recebeu estes livros e bens? Estas doações, permutas ou alienações foram feitas de acordo com o procedimento legal previsto? No caso das permutas, quais obras foram recebidas pela Biblioteca Municipal? Estabeleceu-se, na efetivação da permuta, a equivalência econômica, quer sob o ponto de vista da conservação, quer em razão da raridade, entre as obras trocadas pelo órgão público?
Estas e outras questões foram feitas pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Sérgio Galatti, no ofício que enviou ontem ao prefeito Antonio Belinati (PDT) requisitando a instauração de sindicância administrativa para apurar as recentes denúncias de irregularidades em permutas de livros da Biblioteca Municipal de Londrina, realizadas nos últimos anos. O promotor objetiva descobrir os possíveis danos causados ao patrimônio público e cultural da comunidade londrinense e os responsáveis pelos ilícitos administrativos.
As denúncias de irregularidades foram feitas à Promotoria, no início deste mês, pelo professor de História Carlos Yoshio Okawati. Em 1993, ele fez a doação de cerca de três mil livros à Biblioteca Municipal. No mês passado, o professor encontrou várias destas obras sendo vendidas na Livraria Lido, especializada na comercialização de livros usados (sebo). Outros livros também doados por ele foram encontrados na Livraria M. Revolti, em Maringá, e na biblioteca da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
Os proprietários da Livraria M. Revolti declararam a Bruno Galatti que os livros haviam sido adquiridos na Livraria Lido. Doze volumes remanescentes da compra foram entregues à Promotoria. A assessoria de imprensa da Unopar confirma a existência de cinco livros doados por Carlos Okawati à Biblioteca Municipal no acervo da biblioteca daquela universidade. Segundo a assessoria, eles chegaram à Unopar através de doações e permutas, consideradas procedimentos normais entre bibliotecas.
Bruno Galatti afirma ainda que foram encontrados, também na Livraria Lido, vários títulos que faziam parte da doação da jornalista Ana Marta Garcia. Em relação a estes dois principais doadores, o promotor mandou à sindicância outra série de perguntas, entre elas quais foram objetos de doação, alienação ou permuta.
Pressionada por um documento assinado na semana passada por 11 dos 18 conselheiros do setor, a secretária municipal de Cultura, Angela Farah Marçal, convocou para a noite de amanhã uma reunião do Conselho Municipal de Cultura. A reunião é para tratar de questões que envolvem o patrimônio e a política cultural do município, conforme havia sido reivindicado pelo abaixo-assinado dos conselheiros.


