Perfuradores defendem a qualidade dos poços
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
A utilização de poços artesianos (tubulares) visando a captação de água para consumo humano é recomendável desde que todos os cuidados técnicos sejam tomados durante sua construção. A avaliação é do diretor da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), José Domingos Rossi. Ele criticou matéria publicada domingo pela FOLHA mostrando os riscos de contaminação de poços por fossas sépticas - comuns nas áreas urbanas (leia ao lado). A maior parte dos poços artesianos de Londrina capta água no Aquífero Serra Geral, que fica a aproximadamente 150 metros de profundidade.
Em visita à Redação da FOLHA, Rossi afirmou que ''os perfuradores também têm preocupação com essa questão''.''Nós sabemos que em Londrina existe perfuração há 40 anos e é evidente que alguns poços que foram feitos sem essa preocupação sanitária podem dar problema. Mas, atualmente, existem normas técnicas que podem recuperar esses poços e garantir que as novas perfurações sejam totalmente seguras'', afirmou.
Rossi explicou que a técnica utilizada prevê um revestimento com cimentação de base que impede a infiltração de qualquer substrato da camada argilosa. ''Não há qualquer risco de contaminação se for feito por uma firma decente''. afirmou.
Ele reconheceu, porém, que poços novos também podem sofrer contaminação. ''Tem poço mal construído. Para nós (da Abas) seria muito bom que as empresas menos profissionais fossem varridas do mercado'', disse.
Para se precaver de problemas, de acordo com ele, o consumidor deve conhecer bem a empresa que vai contratar. ''A firma tem que ter geólogo. Além disso, tem que ver o acervo técnico e o cadastro de clientes para ver se é uma empresa idônea''.
O professor de Geologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e vice-presidente da Abras, André Celligoi, disse que a proteção sanitária dos poços tubulares construídos atualmente é ''efetiva''.
''As águas subterrâneas constituem, cientificamente, a maior reserva de água doce disponível na terra e que deve ser explorada de forma racional'', defendeu. ''Com um bom estudo hidrogeológico e uma construção bem feita a proteção é bastante efetiva. Agora, não se pode construir poço em qualquer lugar, fossas sanitárias e cemitérios são fontes potenciais de risco. É aquela coisa, podendo evitar a fossa, é melhor''.


