Emerson Cervi
De Curitiba
As projeções de população do Paraná até 2020, divulgadas há uma semana pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), comprovam que o processo de mudança do perfil social do Estado é irreversível. Desde os anos 60 as taxas de natalidade e fecundidade vêm caindo. A esperança de vida cresce e a mortalidade infantil diminui. Em duas décadas nós passaremos de 9.381.135 pessoas para 11.365.404 habitantes, 21% de crescimento. Em 1980 a população era de 7.629.392, cerca de 20% a menos. A principal diferença para os próximos anos é que a média de idade do paranaense será maior. A população acima de 65 anos, que hoje representa 5% do total, passará a 9% em 2020.
A faixa etária dos 10 aos 20 anos, que é de 11% hoje, vai representar menos de 8% em 20 anos. O amadurecimento da população exige mudanças nas políticas públicas, principalmente em Saúde, Assistência Social e Educação. A Saúde e assistência ao idoso vão requerer maiores investimentos. Apesar da estabilização do crescimento populacional, as migrações internas (aceleradas pelo êxodo rural e processo de industrialização urbana em médias e grandes cidades) gera demandas contínuas para adaptações na infra-estrutura do sistema público de educação.
Em algumas áreas, o governo já começou a tomar medidas para preparar o Estado a esse novo perfil social. O Programa Saúde do Idoso, lançado este ano pela Secretaria da Saúde, atua na prevenção a doenças degenerativas crônicas e faz a integração do idoso à sociedade. Para isso, serão treinados ‘‘cuidadores de idosos’’ voluntários e os servidores da área de saúde passarão por reciclagem profissional.
Na Educação, existe uma crescente tendência de investimentos em manutenção da rede atual e menos em construção de novas escolas. Atualmente, a relação de investimentos é a seguinte: 66% em melhorias e reformas em prédios já existentes e 33% em novas construções. Até 2020 os investimentos para abertura de novas vagas não devem ultrapassar 15% do total. Apenas sete dos 31 núcleos regionais de educação têm crescimento do número de matriculados por ano. Na maioria existe uma estabilidade ou queda em função do processo migratório.
A Secretaria de Planejamento prepara o Estado para as próximas décadas com base em três idéias-chaves: melhoria da qualidade de vida em todo o Estado, qualificação humana e infra-estrutura. Só se combate as correntes migratórias com qualidade de vida nas pequenas cidades. Qualificação humana e infra-estrutura são exigências do processo de mudança do perfil econômico do Estado.
Economia - O amadurecimento da população paranaense e a redução das taxas de crescimento fazem parte do processo de transformação do perfil econômico que o Estado vem passando desde a década de 60. Com a mecanização agrícola e concentração dos sistemas de produção em grandes propriedades, a população rural passou a ser ‘expulsa’ do campo para a cidade. Em 1970 existiam 554 mil estabelecimentos rurais no Paraná. Em 1985 eram 467 mil e no ano passado a quantidade caiu para 370 mil. Dos 7,3 milhões de hectares cultivados anualmente no Paraná, 5 milhões estão ocupados com milho e soja. A liberação de mão© de-obra rural fez com que a população urbana crescesse. O ‘estoque’ de trabalhadores nas cidades propiciou o crescimento da atividade industrial em vários setores. Começou com a agroindústria e agora passa pelos setores automotivos, químicos e de prestação de serviços.

OS NÚMEROS
Taxa de Crescimento
geométrico anual
1970 a 1980 - 0,96%
1980 a 1991 - 0,93%
1991 a 1996 - 1,28%
2000 a 2010 - 1,03%
2010 a 2020 - 0,74%
Taxa de fecundidade total
(número médio de filhos por mulher fértil)
1970 - 6,34
1980 - 4,13
1991 - 2,65
1999 - 2,20
2010 - 2,05
2020 - 2,01
Taxa de Natalidade
(nascidos ao ano por 1.000 habitantes)
1970 - 43,44
1980 - 32,71
1991 - 23,50
1999 - 19,85
2010 - 17,14
2020 - 15,18
Taxa de Esperança de Vida ao Nascer
(média entre homens e mulheres)
1960 a 1970 - 57,37 anos
1970 a 1980 - 63,85 anos
1980 a 1991 - 70,66 anos
1996 a 2000 - 70,28 anos
2000 a 2010 - 71,26 anos
2010 a 2020 - 71,98 anos
Taxa de Mortalidade Infantil
(média dos mortos até um ano de vida para cada 1.000 habitantes)
1970 a 1980 - H 79,17 M 64,24
1980 a 1991 - H 49,61 M 36,39
1991 a 2000 - H 30,70 M 23,40
2000 a 2010 - H 26,70 M 19,00
2010 a 2020 - H 24,10 M 17,30
População Total
1980 - 7.629.392
1991 - 8.448.713
1999 - 9.381.135
2010 - 10.550.170
2020 - 11.365.404
Obs.: dados dos anos 60 até 1991 de censos populacionais do IBGE. De 1991 a 2020 das projeções feitas pelo Ipardes

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