Perfil para legitimar atos
Além da possibilidade de pacificação social, uma das maiores vantagens da abertura da mediação e conciliação aos cartórios é a capilaridade destes estabelecimentos. É o que defende o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná Roberto Portugal Bacellar, especialista em soluções alternativas de conflitos. "Mais de 20 mil cartórios servindo de posto de atendimento para propiciar acesso à resolução adequada do conflito por meio da mediação. Os cartórios têm esse perfil. É preciso que os notários, registradores e seus auxiliares se capacitem cada vez mais para atender a essa demanda que surge com a entrada em vigor do novo Código de Processo Civil e da Lei de Mediação", sustenta.
Ele recorda que notários e registradores sempre foram "pessoas de confiança da população" para formalizar ou dar legitimidade a atos e que a legislação pode contribuir para uma mudança de cultura no País. "É preciso que se devolva às pessoas o poder que elas sempre tiveram de resolver os seus conflitos, independentemente do Poder Judiciário. Fala-se hoje em empoderamento e evito utilizar essa expressão. O Estado não tem que empoderar quem já tem poder. As câmaras privadas de resolução de conflitos, os cartórios e mesmo os centros judiciários de solução de conflitos dos tribunais, se bem organizados, quebrarão a cultura do litígio", defende.
De acordo com Bacellar, a conciliação e a mediação não podem ser só intuitivas. É preciso distinguir uma da outra para melhor aplicar cada um desses processos na prática. "A mediação é mais profunda, permite análises mais complexas, exige maior tempo, há de se ter muita paciência para identificar os verdadeiros interesses das pessoas, melhorar a comunicação e manter relacionamentos. Já a conciliação é mais objetiva e procura em questões pontuais achar uma solução que seja aceitável pelas partes", explica.(A.L.)





