Perfil da transmissão está mudando
Perfil da transmissão está mudando
O perfil da transmissão do vírus da Aids mudou muito nos últimos anos. Até 1993, segundo Alexandre Grangeiro, do MS, a predominância de casos era entre grupos de homossexuais do sexo masculino ou homens bissexuais. A partir de então, esta realidade mudou, com o crescimento de casos entre os heterossexuais, os quais são, hoje, os maiores transmissores da doença.
As alterações atingiram especialmente as mulheres. Até 1993, o contágio acontecia principalmente através de drogas injetáveis. Hoje, 70% das mulheres com Aids adquirem a doença em relação heterossexual, contra 30% dos homens que pegam a doença nestas circunstâncias.
Dos 163 mil casos registrados no Brasil desde 1984, 63% foram transmitidos por vias sexuais e 14% através de sangue contaminado, sendo a maioria através de compartilhamento de seringas e uso de drogas injetáveis.
Para Grangeiro, a doença sofreu várias mudanças nos últimos tempos, como a interiorização, com o registro de vários casos em cidades pequenas e do interior do País; o crescimento de casos entre heterossexuais e entre mulheres e a pauperização da doença. A interiorização pode ser vista com a inclusão de cidades como São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Barretos, todas no estado de São Paulo, que estão, atualmente, entre as dez primeiras cidades em número de casos.
Entre 1987 a 1989 a doença teve um crescimento de 1,95% entre os homens contra 0,40% entre as mulheres. Já de 1993 a 1997 os números se inverteram com aumento de 0,23% entre os homens e 0,73% entre as mulheres. A pauperização da doença também aconteceu em meados dos anos 90. O número de casos entre pessoas de menor poder aquisitivo aumentou muito, diz Grangeiro. Em 1985, 30% dos doentes tinham só o 1º grau e 47% tinham nível superior. Já em 1998, quase 70% têm só o 1º grau contra 20% com curso superior. (M.G.)





