O motoboy Francisco de Assis Pereira disse que apanhou no momento da sua prisão na noite de terça-feira, às margens do rio Uruguai, em Itaqui. ‘‘Me bateram’’, declarou ao advogado Iberê Teixeira, 56 anos, que esteve na delegacia de Itaqui acompanhando o suspeito das 21h30 de terça às 05h30 de quarta. Teixeira solicitou um exame de corpo de delito, que comprovou lesões no rosto, nas pernas e nas costas. Mas o advogado, chamado para garantir a legalidade da situação, assegurou que o tratamento dispensado ao preso na delegacia ‘‘foi excepcional’’.
Teixeira disse que algumas das lesões verificadas são anteriores à detenção - entre elas, como o próprio Pereira admitiu, uma queimadura nas pernas, ocorrida quando estava acampado - e outras aconteceram no momento em que os policiais militares precisaram subjugar o motoqueiro, ‘‘num lugar inóspito, junto ao rio e ao mato cerrado’’.
Para o advogado, o uso da força, a princípio, não excedeu ao que seria recomendável frente a um homem ‘‘tido como altamente perigoso pela mídia’’. E justificou: ‘‘Ninguém vai chegar para ele segurando uma pétala de rosa’’. Ao ser apresentado à imprensa em Porto Alegre, em um dos hangares do aeroporto Salgado Filho, o motoboy tinha um derrame no olho direito. ‘‘Talvez tenha havido um pouquinho de rigor mas o exame de corpo de delito está ao alcance do Ministério Público para, se for o caso, apurar o que houve’’, sublinhou. Perguntado sobre o que mais o impressionou nas declarações de Pereira, o advogado citou a coerência. ‘‘Ele repete a mesma história sempre e não cai em contradição’’, concluiu.

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