Pereira diz que apanhou no momento da prisão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Agência Estado 
O motoboy Francisco de Assis Pereira disse que apanhou no momento da sua prisão na noite de terça-feira, às margens do rio Uruguai, em Itaqui. Me bateram, declarou ao advogado Iberê Teixeira, 56 anos, que esteve na delegacia de Itaqui acompanhando o suspeito das 21h30 de terça às 05h30 de quarta. Teixeira solicitou um exame de corpo de delito, que comprovou lesões no rosto, nas pernas e nas costas. Mas o advogado, chamado para garantir a legalidade da situação, assegurou que o tratamento dispensado ao preso na delegacia foi excepcional.
Teixeira disse que algumas das lesões verificadas são anteriores à detenção - entre elas, como o próprio Pereira admitiu, uma queimadura nas pernas, ocorrida quando estava acampado - e outras aconteceram no momento em que os policiais militares precisaram subjugar o motoqueiro, num lugar inóspito, junto ao rio e ao mato cerrado.
Para o advogado, o uso da força, a princípio, não excedeu ao que seria recomendável frente a um homem tido como altamente perigoso pela mídia. E justificou: Ninguém vai chegar para ele segurando uma pétala de rosa. Ao ser apresentado à imprensa em Porto Alegre, em um dos hangares do aeroporto Salgado Filho, o motoboy tinha um derrame no olho direito. Talvez tenha havido um pouquinho de rigor mas o exame de corpo de delito está ao alcance do Ministério Público para, se for o caso, apurar o que houve, sublinhou. Perguntado sobre o que mais o impressionou nas declarações de Pereira, o advogado citou a coerência. Ele repete a mesma história sempre e não cai em contradição, concluiu.


