PERDIDOS - Famílias sofrem com desaparecimentos
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quinta-feira, 01 de março de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Casos de desaparecimento ocorrem toda semana em Londrina, embora raramente venham a público e não constem em estatísticas oficiais. Os ''sumidos'' podem não ter o mesmo apelo midiático de uma miss Brasil, mas levam famílias ao desespero. Principalmente quando estas descobrem que, na maioria das vezes, não podem contar com a ajuda da polícia nas buscas.
Para o taxista Luis Marcelo da Veiga, 44 anos, a angústia durou dois dias - os mais longos na vida de um pai à espera de notícias do filho. No início do mês passado, numa tarde de segunda-feira, o adolescente de 14 anos saiu de casa dizendo que ia cortar o cabelo e procurar emprego. A noite chegou; o filho, não. ''Comecei a procurar nos piores lugares: hospitais, polícias, Instituto Médico Legal (IML). Não saía da janela, na esperança de vê-lo. Passei a madrugada acordado'', revela.
Veiga lembra que, apesar de ter registrado boletim de ocorrência (B.O.) dando conta do desaparecimento na 10 Subdivisão Policial (SDP), teve que buscar o jovem sozinho. ''Refiz os possíveis caminhos dele, parando as pessoas na rua com uma foto do meu filho na mão. Acabei encontrando-o na casa de um amigo dele. Disse 'perdeu a hora', simplesmente'', conta o pai, com uma indignação sobrepujada pelo alívio. Para ele, faltou empenho da polícia. ''Deveria ter mais investigação, ou pelo menos uma viatura ajudando a procurar.''
Quando o desaparecido é maior, fica ainda mais difícil conseguir apoio policial. Ao relatar o sumiço da filha de 18 anos na 10 SDP, no mês passado, a doméstica Antônia Guilherme Anselmo, 49 anos, diz ter ouvido de um funcionário que ''melhor que fazer B.O. era procurar o (Carlos) Camargo (apresentador de programa policial)''. ''Foi o que eu fiz. Ela mesma acabou aparecendo em casa, dizendo que ficou com vergonha por eu ter botado a cara dela na TV'', relata.
O delegado-adjunto da 10 SDP, Nelson Águila, admite que existe tratamento diferenciado entre casos de desaparecimento, dependendo da idade da pessoa ou até das circunstâncias que cercam o fato. Segundo ele, quando a vítima é menor de 16 anos, a polícia é obrigada a empreender esforços imediatos para a localização e informar o Serviço de Crianças Desaparecidas (Sicride) e órgãos congêneres, como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar (PM).
''Expedimos uma ordem de serviço para uma equipe, que faz diligências, entrevista familiares, vai atrás dos colegas, verifica se houve alguma motivação. Se for criança, comunica-se também órgãos de imprensa e polícia rodoviária'', explica. O fato pode gerar inquérito, quando há suspeita de sequestro, por exemplo. A família não precisa aguardar 24 horas para comunicar o fato - isso não passa de mito.
Já com pessoas acima de 16 anos, o critério de ação da polícia é mais subjetivo. ''Se a queixa for, por exemplo, 'meu pai sumiu, tem 45 anos, tinha uma amante e abandonou nossa família', eu não vou dispor de efetivo para verificar onde esse cidadão foi morar. E em uma diligência rápida você já sabe discernir se é sequestro, briga ou abandono da família'', afirma Águila. Casos de sumiço de usuários de drogas, de acordo com ele, também não mobilizam a polícia para as buscas.
Por outro lado, se não houver subsídios que apontem motivo para o desaparecimento, a polícia pode abrir um inquérito e ampliar as investigações. ''O inquérito justifica pedidos de informações a órgãos que exigem sigilo, como Receita Federal. Podemos descobrir o paradeiro de uma pessoa pesquisando se ela declarou Imposto de Renda ou se recebe conta de energia elétrica em algum lugar do País'', exemplifica.


