Perdi meu bicho de estimação. E agora?
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sábado, 17 de dezembro de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Um boxer de três meses foi raptado na quinta-feira à tarde enquanto brincava no quintal. Um poodle de coleira cor-de-rosa fugiu de casa e até agora não voltou. Procura-se um pastor alemão cego do olho esquerdo. O animal tem grande valor sentimental e o dono oferece recompensa para quem encontrá-lo. Perder ou ter o bicho de estimação roubado representa bem mais que tristeza e o trabalho de colocar anúncio em classificados de rádio e jornal. Recuperar o animal costuma ser uma tarefa cansativa e desgastante.
A dentista Eliane Sukahori Fukahori, que teve seu boxer roubado, distribuiu cartazes em petshopps e clínicas veterinárias, fez anúncios em rádio e rodou a cidade em busca do animal. Cinco dias após o desaparecimento, um telefonema dava a localização do cão. ''Uma senhora disse que ele estava na Favela da Bratac. Quando cheguei lá, ela disse que um menino tinha comprado o cachorro, mas não sabia de quem'', contou. A dentista pagou R$ 70,00 e recuperou o amigo perdido. ''Estava sendo um sofrimento muito grande para nós. Para o ladrão era mais um cachorro, mas pra gente ele fazia parte da família'', contou.
Histórias como a de Eliane se repetem pelas ruas da cidade. De acordo com a Organização Não-Governamental SOS Vida Animal, que trabalha com esterilização e adoção de animais, em média, dois casos de roubo ou desaparecimento são registrados por semana. A ONG disponibiliza pela internet um serviço de busca de animais perdidos e conta com um mailing de 600 nomes, constando o endereço de voluntários, clínicas, petshops, simpatizantes e veículos de comunicação. ''Logo que recebemos a informação, comunicamos todas as pessoas cadastradas. Essa é a única forma que temos para tentar localizar o animal'', afirmou o jornalista e voluntário da ONG, Nelson Bortolin.
O voluntário afirmou que não se sabe quantos animais foram recuperados pela ONG desde a implantação do serviço, há cerca de cinco meses. ''Algumas pessoas retornam dizendo que acharam o animal, mas é muito pouco. No final das contas, percebemos que o número de animais perdidos é maior do que os recuperados'', lamentou. Para colocar o anúncio no site da ONG (www.sosvidaanimal.org.br), é só mandar um e-mail com foto e as características do bicho. ''Anúncio sem foto também vale''. O endereço eletrônico está disponível no próprio site.
O Programa do Zezão, veiculado durante a semana na Rádio Paiquerê AM, também oferece este tipo de ajuda. Basta ligar e passar os dados. ''Temos uma parte do programa dedicada aos classificados. É um espaço de prestação de serviço. O impressionante é que não passamos um dia sem falar de animais, seja desaparecidos, doação, ou gente procurando para adotar'', contou o radialista José Makiolke, o popular Zezão. Durante o programa, sempre no período da manhã, são pelo menos quatro anúncios por dia.
Para facilitar o trabalho dos voluntários é preciso tomar algumas precauções. Adotar uma coleira com o nome e telefone do dono é um bom começo. ''Isso facilitaria demais nosso trabalho, mas acontece pouco. Desde que comecei a participar da ONG, não encontrei um cão sequer com um coleira de identificação'', contou Bortolin.
O número de animais roubados tem crescido, mas a existência de um mercado paralelo está descartada pelas autoridades.


