Perdemos quadros qualificados para as instituições privadas
Perdemos quadros qualificados
para as instituições privadas
Folha - Qual o orçamento anual da UFPR?
Carlos Antunes - Hoje, o que dispomos fica em torno de R$ 250 milhões. Mas o grande problema da distribuição desse recurso é o comprometimento com o pagamento de pessoal. A folha de pessoal ativo e inativo consome 90% da receita. Apenas com os inativos gastamos 50% da folha.
Folha - Com a discussão das reformas (Administrativa e da Previdência Social), as aposentadorias levaram muitos professores capacitados?
Carlos Antunes - Perdemos no ano passado 100 doutores e mestres, que se aposentaram e foram para universidades privadas. Isso é ruim, porque elas não investem em qualificação, ao contrário das universidades públicas, e recebem um doutor pronto, em quem não investiram um centavo. A procura por professores da UFPR pelas instituições privadas deve se intensificar com a mudança das regras da LDB (Lei de Diretrizes de base), que vai mudar o percentual de mestres e doutores para classificar a instituição.
Folha - Então a reposição dessas vagas se torna difícil por causa dos baixos salários, certo?
Carlos Antunes: Exatamente. Mas, apesar disso, hoje 70% do quadro é de mestres e doutores, o que garante à UFPR a posição de maior universidade do Paraná.
Folha - Mas muitos cursos estão perdendo conceito no ranking do MEC.
Carlos Antunes - Eu acho que todas as universidades públicas estão passando pelos mesmos problemas. Nos últimos anos, a tendência tem sido a evasão dos quadros qualificados em direção às universidades privadas. Enfim, é uma realidade presente. É uma situação difícil. Mas, apesar de todos os problemas, quando se abre um concurso para professor na universidade, aparece um grande número de candidatos, cerca de 20 a 30 pessoas. Mesmo com um salário inicial de R$ 700,00.
Folha - Mas em determinados cursos a universidade começa a diminuir a exigência dos concursos, por falta de candidatos.
Carlos Antunes - Realmente, isso acontece, mas depende da área. Há áreas em que, quando se abre concurso, para professor adjunto, por exemplo, que exige doutorado e paga um salário um pouco superior a R$ 1,5 mil, há sempre um número bastante elevado de candidatos. A universidade continua sendo um espaço atraente. No Departamento de História, tivemos um concurso para professor assistente com a inscrição de dez pessoas, a grande maioria doutores. Isto é comum. Para Artes, abrimos um concurso para auxiliar de ensino e se inscreveram cerca de 20 professores, todos titulados.





