Com o passar do anos, o organismo passa por um processo natural de envelhecimento e no caso do aparelho auditivo isso não é uma exceção. Quantas e quantas vezes já não nos deparamos com um idoso confundindo palavras que a outra pessoa disse, transformando-se em motivo de piada? No entanto, a perda de audição, também conhecida como presbiacusia, não é nada engraçado e pode levar a pessoa ao constrangimento, isolamento e pode atuar como um importante fator para a depressão na terceira idade.
''A perda da audição é um processo lento, gradual e bilateral. Por isso, muitas vezes, o idoso nem percebe que é acometido por aquele problema e vai se adaptando, inconscientemente, a cada situação'', afirma otorrinolaringologista de Londrina, Cláudia Vaz. Segundo ela, as principais características de um idoso com déficit de audição são: começar a aumentar o volume da televisão sem perceber, ler os lábios das pessoas quando esta se dirige a ele ou optar por sempre conversar somente com uma pessoa, quando está em uma roda, para conseguir participar da conversa. ''Em outros casos, a pessoa se isola por constrangimento dos netos, que ficam rindo dele, o que pode levar a uma quadro grave de depressão'', destaca Maira.
Por isso, a otorrinolaringologista alerta que é de extrema importância que a família esteja atenta às mudanças de comportamento da pessoa. ''O idoso muitas vezes acaba teimando que não tem nenhum problema com a audição, mas quando prova o aparelho, vê a diferença'', diz. ''Por isso, eu sempre recomendo a meus pacientes que pelo menos façam um teste com o aparelho por sete ou dez dias. Ele passa a ouvir melhor e sua qualidade de vida também melhora muito.''
A especialista esclarece que o principal fator para o surgimento da presbiacusia são os fatores hereditários e a falta de cuidados preventivos ao longo da vida. ''Embora a perda de audição também possa estar relacionada ao envelhecimento do orgão auditivo, pois com ele vem também a diminuição circulação sanguínea na região e, consequentemente, o acúmulo de radicais livres que atacam o aparelho, a carga genética tem forte influência'', acrescenta.
Alimentação e fumo
Cláudia destaca que determinados hábitos de vida acabam por acelerar o processo, que poderia ter início só aos 60 ou 70 anos. ''São pessoas de 40, 50 anos que já apresentam esse deficit na audição por fumarem, por realizar frequentemente uma grande ingestão de álcool, por ter uma alimentação toda errada e por não praticarem atividades físicas'', complementa.
De acordo com a especialista, esses fatores são decisivos, pois têm forte influência sobre as artérias do ouvido, que são extremamente sensíveis. ''Elas são mais finas que um fio de cabelo. Quando você fuma ao longo da vida, por exemplo, você favore a inflamação da parede dessas artérias.''
''Em outros casos, o que pode desencadear a doença são fatores como pressão alta, diabetes, problemas metabólicos e doenças infecciosas, que não foram acompanhadas e tratadas'', salienta Cláudia, alertando que o uso contínuo de medicamentos fortes, como antibióticos ou o contato com produtos tóxicos no trabalho, podem também favorecer o surgimento da doença.
''Há vários casos em que a pessoa permaneceu por um longo período da vida em um local onde havia muito ruído e sem utilizar os equipamentos de segurança necessários e tiveram a audição prejudicada'', ressalta.
De acordo com Cláudia, o profissional habilitado para fazer o diagnóstico de problema auditivo é o próprio otorrinolaringologista, que orientará o paciente para a realização de demais exames com o fonoaudiólogo.

Imagem ilustrativa da imagem Perda auditiva na terceira idade
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