Perda auditiva é das doenças de trabalho mais frequentes
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segunda-feira, 21 de setembro de 1998
Anna Camanducaia 
A perda auditiva induzida por ruído (Pair) é uma das doenças relacionadas a trabalho mais frequentes do mundo. Só nas indústrias, atinge de 30 a 60% dos empregados. Outros profissionais também estão sujeitos à lesão, como dentistas, motoristas e cobradores de ônibus, policiais, funcionários de academias e danceterias.
A Pair é causada por uma exposição continuada, de no mínimo um ano, a um ruído intenso (acima de 85 decibéis). O ruído altera a circulação e provoca queda de oxigênio no organismo, diz a fonoaudióloga Ana Cláudia Fiorini. Isso causa lesão nas células ciliadas do órgão de corte - local da orelha interna do indivíduo.
O problema é progressivo, irreversível e, na maioria das vezes, bilateral. A Pair atinge um grau severo e depois de 12 a 15 anos se estabiliza. Ana Cláudia diz que a audição normal é de 500 a 8.000 hertz, entre zero e 25 decibéis. A partir de 25 decibéis, está caracterizada a perda de audição. O grau severo é quando o indivíduo só escuta de 75 a 90 decibéis.
Quem tem Pair não fica completamente surdo, a não ser que tenha algum outro problema associado. Mesmo assim, a lesão causa um impacto muito grande na vida da pessoa. Além de não conseguir mais ouvir determinados sons, também fica com auto-imagem negativa, afasta-se das pessoas e tem perdas profissionais.
Exames auditivos devem ser feitos periodicamente. Nas empresas, devem ocorrer uma vez por ano. Só o exame pode identificar a perda auditiva induzida por ruído. O problema nunca é percebido no começo porque atinge só a região dos agudos (3.000 a 6.000 hertz). Isso faz com que a pessoa tenha dificuldade apenas em se comunicar em ambientes ruidosos - o que ocorre com qualquer um, diz Ana Cláudia. Quando se descobre, a lesão já está em estágio muito avançado.
Segundo Ana Cláudia, o ruído é um problema de saúde pública porque está dentro e fora do ambiente de trabalho. Até na hora do lazer, estamos em contato com ruídos, diz.
Não é possível ficar livre dos ruídos, mas Ana Cláudia diz que as pessoas podem diminuir sua intensidade. O escapamento do carro deve ser revisado com frequência, o som da TV e do rádio tem de ser menor, e, na hora de ligar os eletromésticos, deve-se usar um de cada vez.
Para a fonoaudióloga, o governo deveria fazer campanhas de educação ambiental com ênfase na poluição sonora. As empresas poderiam implantar programas de conservação auditiva para que as pessoas não adquiram o problema.
O ruído também pode causar trauma acústico, no caso da explosão de uma bomba ou um tiro, e alteração temporária limiar auditiva, como depois de um show. No primeiro caso, a perda não é tão grande e não chega nem a alterar a conversação. No segundo, a audição volta ao normal depois de no máximo 14 horas.


