PERCIVAL DE SOUZA
MÁXIMO, MÍNIMO
Para cada dólar investido na prevenção, o País economiza US$5 na repressão. A conta, interessante, foi feita por Giovanni Quaglia, representante do Brasil e do Cone Sul no escritório das Nações Unidas (ONU) contra Drogas e Crimes, ao divulgar dados recentes sobre consumo no mundo. Segundo ele, apesar de tudo o Brasil não está inserido entre os grandes consumidores do planeta - é o 10º entre os 11 países pesquisados.
A divulgação desses números foi feita anteontem, Dia Mundial de Combate às Drogas, e contrasta um pouco com a última pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Escola Paulista de Medicina), segundo a qual o Brasil é um dos 25 países onde houve mais crescimento de consumo de drogas lícitas e ilícitas -154% a mais contados dos anos 60 para cá, contra 49,5% do Reino Unido e 33,9% dos Estados Unidos. Quaglia analisa: o Brasil vive um bom momento para trabalhar na prevenção, ''dentro de alguns anos vai se tornar muito custoso fazer isso''.
Muita gente acha o máximo usar algum tipo de droga. Muitos não dão a mínima para o problema, a menos que ele chegue bem perto ou dentro de casa. A propósito, a Secretaria Nacional Antidrogas promoveu um encontro, no Ministério das Relações Exteriores, com representação de vários países da Europa e das Américas. Alguns deles disseram que é bom prestar atenção no que anda acontecendo com as raves - festas de música eletrônica - e as multidões que elas costumam atrair. Alguns ligam o consumo de ecstasy à música tecno. O secretário nacional Antidrogas, general Paulo Roberto Uchoa, acha que é preciso ''flexibilidade'' na prevenção ao uso de drogas.
O cientista político Gláucio Dillon Soares acha que estamos, como sociedade, perdendo tempo em transformar um assunto num mero debate onde os participantes agem como se fossem vencedores ou perdedores. Não é por aí, analisa. Precisamos considerar, adverte, dividindo debatedores entre ''duros'' e ''moles'', que os primeiros destacam que drogas legais, como álcool e fumo, matam mais do que as ilegais, ''ignorando o contra-argumento de que matam mais não porque sejam intrinsecamente mais letais, mas porque o número de usuários é muito maior''. Os duros, observa Gláucio Soares, argumentam que tornar droga acessível, sem repressão, implicaria em criar e manter centenas de hospitais psiquiátricos, ''à custa do atendimento de outras necessidades médicas e hospitalares do povo brasileiro''.
Vivemos o momento em que é preciso saber observar, ouvir e entender. Porque, como diria Guimarães Rosa, ''mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende''. As consequências da droga estão aí, visíveis. Portanto, solidariedade com quem precisa deixar de usar algum tipo de substância entorpecente é uma coisa. Solidariedade com a droga, é outra. Nem satanizar, nem ver glamour no que é sinistro. Talvez seja esta a receita.





