Não, não vou falar sobre o czar russo da família Romanov, e sim sobre Pedro Ciechanovicz, o bandido sequestrador preso em Curitiba e levado para São Paulo. ''Grande'', no caso, porque ele é daquele tipo de criminoso-cabeça, que arquiteta, analisa e executa. Vamos, sem delongas, aos bastidores da vida de Pedro. Capturado na capital do Paraná, após longa negociação, policiais paranaenses e paulistas encenaram opereta-bufa, com um ato de duração, sobre a ''propriedade'' do preso ilustre. Como havia refém em cativeiro, não se podia perder tempo em discutir. É nisso que dá as polícias não conversarem entre si, antes, para evitar o ridículo, depois.
Saiba o leitor que Pedro também é ladrão refinado de joalherias e, como há mais coisa entre o céu e a terra do que a filosofia, ele conseguiu ser transferido de um presídio de São Paulo para outro, de Piraquara. Recomende-se ao governador Requião, implacável em execrar os podres anteriores, o porquê desse interesse paranaense em fazer uma troca de presos, da qual Pedro fazia parte. Aliás, do presídio do Paraná ele seguiu para a prisão de Mongaguá, litoral paulista, porque certamente não poderia viver longe da brisa do mar. De lá, escafedeu-se para a prática de novos crimes.
Perceba como são as coisas no sistema penitenciário. Esses passeios interestaduais e a última fuga eram sinônimo de perigo para a sociedade, mas nenhum sinal de alerta foi emitido. O bandido, sabe-se agora, dividia os membros de sua organização em células, adotando normas rígidas de segurança. No caso do sequestro: um grupo fazia o levantamento sobre os hábitos regulares da vítima, outro se encarregava da captura, mais um da administração do cativeiro e um quarto negociava o pagamento do resgate e a libertação da vítima. Não se conheciam entre si. Pedro aprendeu essas coisas todas com os sequestradores de Abílio Diniz, aqueles que despertaram tanta compaixão em José Gregori, desastrado ex-ministro da Justiça, que não sossegou enquanto a bandidagem não saísse do País à base de acordos de reciprocidade juridicamente lamentáveis.
Mas observe: Pedro, o chefe do bando, montou uma estrutura de inteligência, com capacidade de mobilização e trânsito entre cidades e Estados. Muito diferente da máquina burocrática do nosso aparelho repressivo, que em vez de correr atrás do lucro prefere contabilizar o prejuízo.
Conversei longamente com o delegado Everardo Tanganeli, que prendeu o terrível Pedro. Existem detalhes impressionantes sobre os cuidados de Pedro com detalhes mínimos. Acho que Tanganeli poderia dar aulas sobre investigação pura para nossa Polícia saber como é possível enfrentar com sucesso a criminalidade organizada e sofisticada, e não curvar-se como se ela fosse invencível. Fica aqui a sugestão. Como diria o padre Vieira, quem não pergunta não quer saber, e quem não quer saber quer errar.

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