PERCIVAL DE SOUZA - O CASO JESSE JAMES
O caso do jovem procurado por sequestro e assassinato nos Estados Unidos tem um lado de face oculta, exemplar para os brasileiros. Ele foi capturado em Saquarema, RJ, onde vivia no bem-bom. Escolheu nosso País porque imaginou que aqui estaria tranquilo. Inspirado em Ronaldo Biggs, o inglês ladrão de trem-pagador no início dos anos 60, vivia com uma moça grávida, certo de que este seria o passaporte carimbado: casar com brasileira e ter um filho. O FBI chegou antes. A Interpol formalizou a prisão e a Justiça Federal a deportação.
Jesse James Hollyood, 25 anos, era o mais jovem de uma lista dos mais procurados pelo FBI. Ele e mais quatro pessoas participaram do sequestro de um adolescente de 15 anos, para cobrar uma dívida na compra de drogas, pano de fundo de sempre. Um dos quatro já foi condenado à morte. O caso está no Tribunal de Santa Bárbara, Califórnia, o mesmo que aprecia o ruidoso processo em que o cantor Michael Jackson é acusado de pedofilia.
O Jesse James original assaltava trens. Ele e seu irmão Frank tornaram-se lendários, caçados vivos ou mortos, e entraram nessa vida para vingar o assassinato da mãe, a sra. Samuels, vítima de um avanço inescrupuloso da companhia de trens que queria pagar um dólar por acre de terra que valia quinze. O Jesse James imitação dificilmente escapará da pena capital. Tudo que gravita em torno dele é bem diferente no Brasil. É só conferir, por exemplo, o absurdo número de mandados de prisão a serem cumpridos. Cerca de 200 mil. Os criminosos já pensam que o crime compensa. Muitos deles acabam se dando bem.
O primeiro ponto é ter lista de prioridade em capturas. Prender autor de crimes gravíssimos deveria ser questão de honra para a polícia e satisfação moral para a sociedade. Mas não é o que acontece entre nós. O segundo aspecto relevante é libertar-se das amarras burocráticas e cartorárias e buscar com obstinação o autor desses crimes, esteja ele onde estiver. O FBI contatou a Interpol, a Polícia Federal colaborou e Jesse foi preso. Aqui, nós nem sabemos quais são, na grande maioria, os criminosos que não têm direito de viver em sociedade. Ficam camuflados em relações confeccionadas e remetidas pela burocracia inerte. E os que deveriam ser procurados são sequestradores, assassinos, traficantes, assaltantes, estelionatários, algozes do Erário e perigo para todos. A tudo isso, costuma-se chamar genericamente de ''portadores de periculosidade''. No rol das buscas, viram caranguejos do mesmo saco. Entre nós, tais figuras escondem-se em outros Estados, escapam da mão da lei, assumem outras identidades. Acham normal tudo o que fizeram.
Jesse James, o bandido do faroeste contemporâneo, está preso. Seu sobrenome é Hollyood. Emblemático: para nós, brasileiros, não permitir que a criminalidade avance e a impunidade triunfe são coisas de cinema.





