Pequenos roubos tomam conta do centro
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
James Alberti 
Menores de rua e até estudantes infernizam a rotina de comerciantes em Curitiba. As lojas, bancas de jornais e farmácias são vítimas de assaltos e furtos rápidos e investem em vigias e guardas para se proteger. Mesmo assim não conseguem deter os pequenos infratores. Está feia a coisa. Eu não posso desgrudar daqui, diz o vigia Carlos Dias de Moura, plantado junto à porta da Farmácia e Drogaria Nissei, na Praça Tiradentes.
O policial militar que cuida do totem da Praça Generoso Marques disse que recebe queixa todas as semanas dos comerciantes da região. Ontem foram duas. Uma delas veio da loja Brasil Real onde uma mulher tentou furtar uma jaqueta. A vendedora Luciana Fátima Ferron impediu que a acusada saisse da loja. Depois de conversar por telefone com o dono da loja, a mulher partiu em direção da porta de vidro e a quebrou com um pontapé. A acusada fugiu e Luciana machucou a mão.
Mauro FrassonCom as própriasLeandro Arruda cuida de uma banca de revistas na rua XV e confessa: às vezes a gente pega os moleques, traz aqui para dentro e dá umas porradinhas de leveBrigar com menores de rua para evitar um furto já é rotina para o balconista Leandro Villela Arruda, filho da comerciante Maria Do Rocio, dona de uma banca de revistas na rua XV de Novembro. Às vezes a gente pega os moleques e traz aqui para dentro e dá umas porradinhas de leve, conta, apoiado no balcão da banca de revista.
Se há algum tempo eram apenas as crianças e os adolescentes de rua que praticavam as infrações, agora estudantes e pessoas sem qualquer suspeita estão entre os responsáveis pelos prejuízos. A gerente da Sul Center, Adriana da Rocha, afirma que são raros os casos de menores que furtam na loja. Os olhos das vendedoras da loja e dos três vigias ficam bem abertos quando um grupo de estudantes chega à loja. Isso sob orientação da gerente, já que seriam estas as principais suspeitas.
Mauro FrassonSem segurançaA vendedora Luciana Fátima Ferron impediu que uma mulher roubasse uma jaqueta da loja, mas a acusada partiu em direção da porta de vidro e a quebrou com um pontapé. Luciana acabou machucando a mão
São pessoas que sempre têm dinheiro para pagar o que estão furtando, conta Adriana. Em geral, o valor do furto não vale sequer o constrangimento e a reprimenda que o adolescente leva dos pais. A gerente diz que sempre chama os pais dos acusados para que venham buscar os filhos no escritório da loja. Os pais chegam e já vão dando sermão.
Na loja de roupa infantil Xiquita e na Farmácia e Drogaria Nissei os acusados têm bem mais de 18 anos. São mulheres aparentemente de família, que furtam desde roupa para os filhos a termômetros. O gerente da farmácia Hélio Correia da Silva afirma que os furtos cometidos por meninos de rua e estudantes são raros e os mais comuns são os roubos praticados por adultos.
Silva acredita que os furtos são cometidos por causa da situação financeira e da falta de dinheiro. Apesar da crise, a constatação que o próprio gerente faz é de que os produtos furtados não são propriamente de primeira necessidade.


