Londrina - Todos os dias, o gerente financeiro Osmar Santos, 47 anos, dedica duas horas ao trabalho de lustrar e cuidar de seus objetos de maior desejo: a coleção de carros em miniatura, formada por 3,2 mil modelos diferentes. Essa paixão, movida por uma enorme admiração, levou Santos a fundar o Grupo Amigos Colecionadores de Miniaturas (Acomini-Brasil), que em dois anos já cadastrou mais de 40 colecionadores em todo País.
Além de trocar informações e, é claro, carrinhos, os participantes promovem eventos e exposições para divulgar a atividade. A última aconteceu no sábado, no Shopping Com-Tour, reunindo de oito expositores, que sem esforço nenhum, despertaram a curiosidade até daqueles que não costumam admirar os acessórios.
"Não tem como não parar para ver. Os modelos são réplicas 64 vezes menores que um veículo normal. A riqueza de detalhes e cores são de deixar qualquer um com vontade de ter um", comenta Santos, que atribui seu interesse pelos carros ao filho Fernando, 16 anos.
Ele conta que, quando pequeno, Fernando ganhava carrinhos, mas era ele quem os guardava. "Quando percebi, já tinha uma quantidade razoável. Meu filho foi perdendo o interesse e eu adquirindo", conta, com jeito de colecionador apaixonado. Mas o filho mais novo, Fábio, 10 anos, também deixa Santos cheio de orgulho ao garantir que dará continuidade à coleção do pai, até porque o baixinho a encara como uma verdadeira herança.
E mesmo parecendo impossível a um colecionador, Santos afirma que tem seus xodós. "São as kombis e os carros com pneus de borracha, mas tem também as raridades", diz, revelando depois, que seria difícil classificá-los. "Agora que tenho muitos modelos, priorizo a qualidade e não mais quantidade", comenta Santos, que como todo fã confessa que não consegue se imaginar sem os carrinhos. "Colecionador nunca tem limite. Enquanto houver lançamentos, eu vou procurar tê-los", revela.
A dica para quem deseja começar a colecionar, segundo Santos, é bem simples: ter delicadeza e carinho ao mexer com os acessórios e mantê-los sempre limpos e bem guardados. Dedicação que o pequeno Felipe Testa de Souza, 5 anos, afirma já ter com seus 200. "Tenho um montão deles e cuido direitinho. Tem de todos os modelos, mas os que mais gosto são os de arrancada", diz o garoto, enquanto enchia os olhos com as miniaturas expostas.

De pai para filho

Orgulhoso e cheio de histórias para contar, Reginaldo Natal da Rocha Loures, 69 anos, exibe sua rara coleção de carros de época. "Tenho modelos fabricados há 50 anos. Em casa tenho mais de 200. Me lembro que quando não encontrava na cidade, eu viajava até o Paraguai para comprar um modelo", conta o colecionador, que há mais de 30 anos preserva e ainda procura por raridades em miniaturas.
A paixão é tamanha que pode-se até dizer que passou de pai para filho. "Está no sangue", brinca o filho Reginaldo, 29 anos. Ao todo, Reginaldo já possui 726 carrinhos, mas ainda afirma estar longe de atingir sua meta. "Quero completar a série T-HUnt, que são os mais raros. Acho que esse desafio também é uma motivação para os colecionadores", explica.

Mesada

Ao contrário de muitas crianças, João Vitor Perez Correa, 10 anos, já tem destino certo para o dinheirinho que ganha dos familiares. "Eu compro carrinhos para minha coleção", conta o garoto, que já contabiliza 100 peças. O motivo para tanta determinação vai além do simples gostar. "É uma paixão mesmo, pois eu já decidi que quero ter muitos e muitos carros na minha coleção", ressalta.
"Não gosto que mexam nos meus carrinhos. Cuido deles com muito cuidado e carinho. Não vou deixá-los na mão de quem não sabe cuidar", avisa João Vitor.

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