GuarapuavaA vida de dona Maria da Luz Ribeiro da Cruz mudou da água para o vinho de um ano e meio para cá. Depois de ter trabalhado durante sete anos como zeladora em uma empresa e, em seguida, ter reassumido a condição de dona de casa, decidiu ajudar a engordar o orçamento familiar, representado pelos R$ 380,00 da aposentadoria e do salário de vigilante do marido, Pedro Xavier da Cruz. Criou coragem, fez cursos, emprestou dinheiro e abriu uma pequena mercearia, praticamente uma extensão de sua casa, na Vila Jordão, a 6 quilômetros do centro de Guarapuava. Atualmente contabiliza ganho de R$ 220,00 líquidos por mês.
As despesas geradas pela ‘‘Barraca da Dona Maria’’, como o estabelecimento é chamado pelos fregueses, incluindo a parcela do último empréstimo, são cobertas pela receita obtida com a venda de salgados, refrigerantes e cerveja, cachorro quente e miudezas. O maior movimento, segundo dona Maria, nos dias da semana, ocorre antes ou depois das aulas de uma escola nas imediações. O bom, mesmo, é no sábado e domingo, quando se vende mais.
Já pensando na comodidade dos fregueses, ela pretende colocar lajotas em frente à mercearia. No local, para evitar que as pessoas ficassem expostas ao tempo, ela construiu uma cobertura. ‘‘Agora só falta melhorar o piso’’, diz. E entre seus planos ainda está a compra de um forno para a produção de pães caseiros. Com isso espera melhorar a renda da empresa. Até o momento dona já investiu R$ 970,00, a maior parte emprestada pelo ‘‘Banco do Povo’’ como ela chama a Casa de Crédito e Incentivo ao Empreendedor (CCRIE).
Também atendida pelo programa, dona Elza Sarabum Prado conta que não precisou desembolsar quase nada para montar a indústria de sacolas ecológicas para carro. A fábrica foi instalada em uma dependência nos fundos de sua casa, no Bairro Bom Sucesso. A sacolinha de lixo, produzida com TNT, é fornecida para postos de gasolina que as distribuem para os clientes. A idéia surgiu durante o curso ‘‘Saber empreender’’. E, há oito meses, ela mantém dois clientes fixos para quem fornece 1,5 mil unidades mensais.
Dona Elza Prado lembra que, no início, a sacolinha ecológica era novidade em Guarapuava. Mas diante do sucesso do empreendimento, atraiu concorrentes. Agora está planejando emprestar R$ 250,00 da CCRIE para comprar uma máquina de serigrafia, para agregar valor ao produto. Como o serviço é terceirizado, o custo da estampa em cada unidade é de R$ 0,12. A microempresária estima que ao assumir todas as etapas da produção, o lucro irá dobrar. Atualmente dona Elza ganha R$ 0,12 por peça.

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