Coleta é realizada por meio de armadilhas; trabalho segue até outubro
Coleta é realizada por meio de armadilhas; trabalho segue até outubro | Foto: Gustavo Carneiro



Projeto desenvolvido na UEL (Universidade Estadual de Londrina) tem o objetivo de fazer um levantamento das espécies de pequenos mamíferos presentes na região Norte do Estado, por meio da captura de roedores e marsupiais. A coleta, que acontece desde abril, é feita por meio de armadilhas instaladas no campus da instituição (zona oeste). As armadilhas são recolhidas periodicamente e a intenção é que a o trabalho se estenda até outubro, quando uma nova fase será iniciada.

"Muitas vezes é trabalhada a fauna de médio e grande porte, com registro fotográfico, de atropelamentos, por exemplo. Já a de pequeno porte é mais complicado, porque tem que coletar e fazer uma análise. Tínhamos o material para fazer a amostragem, que foi deixado por outro professor, e pensamos em iniciar a coleta, podendo expandir para outras áreas", explica Ana Paula Vidotto Magnoni, coordenadora do projeto de pesquisa, e professora do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, do CCB (Centro de Ciências Biológicas).

Segundo ela, um aluno de doutorado teve a ideia de levantar a bibliografia das espécies que habitam a região e isso somou-se a um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) que vem sendo desenvolvido por três alunas do CCB, que tem proposta neste sentido. Outros quatro estudantes de iniciação científica estão colaborando.

REVEZAMENTO
A cada duas noites as armadilhas são montadas em dois locais, enquanto que no horto florestal da UEL ela é deixada de maneira fixa. Ao todo são cinco lugares: orquidário, mata próxima à capela, CTU (Centro de Tecnologia e Urbanismo), horto próximo ao Labesc (Laboratório Escola de Pós-Graduação) e estação de piscicultura. "Com exceção do horto florestal, nos outros lugares revezamos as armadilhas ao longo das semanas. A cada cinco semanas se repete o mesmo local", destaca a professora.

Após capturados, por meio de iscas colocadas nos recipientes, os roedores são pesados, medidos e coletadas amostras de pelos para uma identificação mais detalhada. "Isso é preciso porque a estrutura do pelo tem uma característica especifica. Faz a identificação de campo, mas depois confirma em laboratório", pontua. Posteriormente os bichos são devolvidos à natureza. "Fazemos a marcação quando temos a certeza da espécie e queremos a recaptura. Marcamos os animais com esmalte colorido na ponta do rabo e da pata. Já vimos várias recapturas", acrescenta.

LISTA
Dos animais apanhados durante os últimos meses, os pesquisadores já elencaram algumas percepções importantes para o levantamento. "Temos visto a tendência para espécie de ratos invasores, que são as ratazanas, ratos de esgoto e camundongos, em áreas mais degradadas. Já em áreas mais íntegras, como o horto florestal, temos observado a presença de espécie nativa, os silvestres, que são os que realmente ocorrem na fauna."

A intenção é fazer diversas publicações a partir do que for apurado, também gerando uma lista de espécies de mamíferos de pequeno porte no Estado, o que ainda não existe. Magnoni destaca que o grande desafio está sendo conscientizar os estudantes da universidade a não mexerem nas gaiolas, pois isso pode prejudicar o trabalho. Um e-mail para todos os universitários chegou a ser enviado recentemente alertando para não haver contato com as armadilhas. "Existe um pensamento do rato como um ser que tem que ser exterminado, inclusive os selvagens, mas não é bem assim", adverte.

mockup