Celulares e as carteiras são mais visados, mas a criminalidade não dispensa tênis, bonés e mochilas. Objetos de menor valor roubados pela ameaça física feita, na maior parte das vezes, por pessoas desarmadas. Classificadas como pequenos delitos, essas ações acabam à margem das estatísticas oficiais, mas ocorrem diariamente em qualquer horário e lugar da cidade.
Anteontem, um desses pequenos delitos foi flagrado pela reportagem da Folha de Londrina em um bairro nobre. A história do pequeno crime segue a regra nesses casos. A vítima, um adolescente de 14 anos, foi abordado por um jovem não muito mais velho que ele. Depois do roubo a vítima nem chegou a prestar queixa à polícia.
Se faltam estatísticas, não faltam vítimas. Nas escolas é difícil encontrar um adolescente que não teve pelo menos um amigo assaltado. A vítima de anteontem conta, por alto, três amigos. ''Ah, eles perderam bicicleta, tênis e boné'', diz o rapaz que foi roubado a menos de duas quadras de casa. Ele mesmo nem pensou em prestar queixa. ''Meu pai ia ver isso'', disse, sem muitas esperanças de recuperar o tênis perdido.
A falta de fé em reaver os pertecences e na ação da polícia explica porquê as pessoas não chegam a prestar queixa desse tipo de delito. A polícia rebate que sem registro é difícil agir. ''É importante que as pessoas denunciem até para constar nas estatísticas para que a polícia possa reforçar o policiamento nesses locais'', argumenta o capitão Altivir Cieslak.
Mesmo com a minoria prestando queixa, o número de casos de pequenos delitos cometidos na cidade impressiona. Na Delegacia do Adolescente, segundo o delegado João Aquino, a média de apreensões é de dois a três adolescentes por dia. A maioria esmagadora envolvida em furtos, crimes contra o patrimônio público e roubos.
''Há uma grave questão social por trás desses crimes, são meninos, na maioria das vezes oriundos de famílias desestruturadas, que não conhecem o pai, ou o casal está separada, ou ambos não ligam para o menor. Adolescentes vindos de famílias que realmente se interessam por eles aparecem pouco por aqui, só em caso de descuido, e não costumam ser reincidentes'', opina o delegado.
Apesar da vítima flagrada pela reportagem não ter prestado queixa formalmente até o fechamento desta edição, a Polícia Militar (PM) e Polícia Civil estão investigando o caso. Ambas as corporações solicitaram as fotografias publicadas na capa da Folha anteontem com intuito de indentificar o proprietário veículo em que os suspeitos fugiram.

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