As férias estão acabando e o corre-corre vai começar de novo. Pais e filhos com agendas lotadas. É escola, inglês, ginástica, natação, música, ballet, taekwondo e demais atividades que compõem a rotina das crianças e adolescentes.
Importantes para o desenvolvimento da criança e do adolescente, as atividades extracurriculares, porém, em excesso podem fazer mal. Segundo a psicopedagoga Luzimar Mazetto, ''o equilíbrio deve predominar e os pais têm de ficar atentos porque ao invés de estarem ajudando os filhos, colocando-os em diversas atividades, na verdade podem prejudicá-los''.
Na hora da escolha de uma atividade extra deve-se levar em conta a idade, a vontade da criança e a grade curricular das instituições. Tem escola que oferece várias atividades complementares fora do horário de aula, preenchendo assim o dia do aluno. Neste caso, os pais têm que ficar atentos para não extrapolar o limite físico da criança.
Bruna, 8 anos, e Diego, 11, têm aulas de idiomas, violão, taekwondo, triatlo, ginástica e balé. ''As atividades em que eles estão matriculados partiram da vontade deles'', garante a mãe, Giane Guglielmi.
Administrar corretamente o tempo é outro fator preponderante. De acordo com Luzimar, a criança também precisa de um horário para ficar junto da família e brincar. ''Enquanto ela (criança) brinca, constrói o seu mundo. Dependendo da criança, se ela tem uma rotina pesada, isso pode acarretar fadiga e cansaço'', sintomas comuns, principalmente no final do ano.
Giane diz já ter percebido essa situação. ''Em novembro, eles reclamaram que queriam dormir e ficar mais tempo em casa. Tirei o Diego do triatlo e a Bruna do ballet, respeitando o limite e o desejo de cada um'', conta.
Atentos, os pais precisam observar o comportamento dos filhos em casa e na escola, como dificuldade de aprendizado, falta de concentração e interesse. Estes são alguns dos sinais de alerta indicando que a criança ou adolescente está estressado. Luzimar ressalta que ''é só prestar atenção, porque eles funcionam como um termômetro e demonstram o problema.''
Em contraponto, crianças e adolescentes podem demonstrar um interesse por outras atividades mesmo já tendo uma rotina preenchida pelos afazeres da vida moderna. ''Tenho que controlar, pois se deixar, agora, no início do ano, eles querem fazer mais atividades além daquelas que já praticam'', afirma Giane. Bruna emenda a conversa dizendo querer ''fazer patinação, dança do ventre e teclado também''.
Organizar a agenda dos filhos requer cuidados, pois pequenos detalhes podem fazer a diferença. ''Procuro fazer a matrícula deles em atividades extras sempre no horário depois das 10h, assim eles dormem mais'', salienta a mãe de Bruna e Diego.
Outro fator predominante é o tempo dos pais. Como passam o dia inteiro fora, na maioria das vezes, preferem adaptar os horários dos filhos e deixá-los em escolas à companhia de outras pessoas.
Uma rotina construída com inúmeras atividades complementares pode ser saudável de acordo com o ambiente em que a criança se desenvolve. ''Pais bem realizados e felizes geram crianças bem realizadas e felizes, pais estressados e nervosos geram crianças com a mesma característica'', constata Luzimar.

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