O tio Estado é ausente. Faz poucas visitas a seus sobrinhos do Assentamento Novo Amparo II, em Londrina. Não nega que tenha obrigação de atender aos pedidos de tantos dependentes: água encanada, asfalto, poste de luz, rede de esgoto... O tio Estado está preocupado com tanta insistência. Está com vergonha de voltar por lá. É posto de saúde, é escola. A lista é grande demais mesmo para alguém tão poderoso. É tanta coisa na cabeça que o tio Estado ficou apático. Mas um dia ele decidiu agir. Aplicou o fumacê contra os mosquitos da dengue, inimigo implacável de seus sobrinhos. E a garotada do assentamento não perdoou. Em um ato de irreverência, caiu para trás na primeira borrifada. Falar em protesto infantil seria exagero. Mas a atitude dos meninos deixou o tiozão com sorriso amarelo. Quando será que ele volta? Os meninos do Novo Amparo II estão esfregando as mãos! (Lúcio Flávio Moura)

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