Mário CésarDamarino Rodrigues colhe repolho com ajuda da família: prejuízosMARILÂNDIA DO SUL - As chuvas também trouxeram problemas para os pequenos produtores rurais de hortaliças de Marilândia do Sul (34 quilômetros ao sul de Apucarana). Além de terem ficado impossibilitados de trabalhar nas últimas semanas, as chuvas destruíram estradas, pontes e romperam diversas represas de irrigação.
Muitas famílias procuraram ajuda na prefeitura, que não pôde fazer nada. Segundo o secretário municipal de Saúde, Luiz Feliciano da Silva, a prefeitura fez uma triagem para conceder cestas básicas. ‘‘Procuramos as famílias com gestantes ou crianças pequenas. A prefeitura não tem dinheiro para ajudar todas’’, argumentou.
O bóia-fria Antônio Antunes de Lima, 34 anos, conseguiu serviço depois de ficar quase 30 dias parado. Debaixo do sol que abriu no final da semana passada, ele roçava um pasto com outros companheiros.
‘‘Não pedi ajuda na prefeitura. Eu consegui alguns serviços de roçar datas na cidade. Foi difícil, mas foi o melhor que eu pude encontrar’’. Ele disse que conseguiu ganhar por roçagem cerca de R$ 10,00. Mas Lima continua preocupado, pois o trabalho vai durar no máximo uma semana. O que fará depois, ainda não sabe.
Feliz com a trégua dada pelas chuvas, Geraldo Benedito Leite, 76 anos, caminhava para o trabalho. ‘‘Tenho que aproveitar o primeiro dia de sol para correr atrás do prejuízo. Espero que a chuva não volte a atrapalhar’’.
Para Leite, o ritmo de trabalho em janeiro foi fraco. Ele disse não ter passado necessidades, pois um filho o ajudou.
Para o porcenteiro Clóvis Alberto do Prado, 49 anos, a chuva não deu condições de trabalhar como queria. O aguaceiro não estragou a produção de tomate do patrão, mas interferiu no preço e qualidade do produto.
Em 45 dias de trabalho, Prado recebeu pela venda de tomates R$ 92,00. ‘‘Este dinheiro não dá para fazer nada, nem para cobrir minhas despesas’’.
Ele argumenta que teve sorte em receber este valor e de ter conseguido alguns trabalhos extras durante as chuvas. ‘‘Teve gente que teve prejuízo, principalmente aqueles que arrendaram terras. Eles não conseguiram tirar o suficiente para pagar a plantação’’.
Na quarta-feira, Damarino Rodrigues, 32 anos, e sua família também corriam atrás do prejuízo. Mobilizando até o filho de seis anos na colheita de repolho, Damarino esperava conseguir o suficiente para cobrir os custos das sementes, pago à vista.
Por causa do excesso de água, repolhos e pimentões desenvolveram um fungo que estava estragando as plantas. A colheita seria vendida no Mercado Municipal de Londrina.
Desanimado com o resultado, torcia para que o sol firmasse para não prejudicar outras culturas, como tomate. ‘‘Numa outra roça perdemos todos os pés de tomate. Mas a nossa situação ainda é privilegiada, porque outros produtores chegaram a perder tudo, inclusive as represas de irrigação, que são necessárias caso a chuva pare.’’

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