Curitiba – O Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, prevê atender 6 mil crianças e adolescentes a mais, por ano, nas alas de internação. Um espaço de 3,8 mil metros quadrados foi inaugurado ontem para aumentar o número de leitos, locais de convivência e recuperação.
  François D’Agay, 83 anos, sobrinho de Antoine Saint Exupéry – escritor francês, autor do livro O Pequeno Príncipe – esteve presente na solenidade de inauguração. Ele disse em visita às instalações ‘‘que o tio ficaria emocionado em ver como a história dele inspirou o trabalho de um hospital infanto-juvenil’’.
  A nova estrutura conta com quatro pavimentos, sendo dois de apartamentos e um exclusivo para abrigar os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A quantidade de leitos saltou para 390 (contra os 310 atuais) – são 62 na UTI (dos quais 30 foram totalmente reformados). No último andar foram instalados dois auditórios, um espaço ecumênico, biblioteca, sala para educação e cultura, setor de psicologia e serviços de apoio.
  ‘‘É a comemoração de uma grande vitória no avanço da qualidade de nosso atendimento. Devemos isso aos nossos colaboradores que mobilizaram uma forte rede de contatos para doações. Empresários de todo o Brasil abriram suas portas para a nossa causa’’, afirma a diretora de relações institucionais do hospital, Ety Cristina Forte Carneiro. Ela explica que o repasse do Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas 40% dos gastos com atendimento público, não é o suficiente para fechar as contas, muito menos reinvestimentos. O governo do Estado destinou R$ 3,4 milhões para a obra. Para equipar e mobiliar os quatro andares foram captados R$ 8,1 milhões junto a mais de 100 empresas de todo o Brasil e pessoas físicas por meio do repasse do imposto de renda a receber, além de doações diretas.
  Há cinco anos, a destinação de imposto de renda é uma importante fonte de captação de recursos do Hospital Pequeno Príncipe. O repasse é viabilizado por meio do Fundo para a Infância e Adolescência (FIA). Os projetos aprovados pelos Conselhos Municipal e Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente ficam aptos a receber 6% do imposto de renda a pagar de pessoa física que declara pelo formulário completo, e 1% de pessoa jurídica tributada pelo lucro real.
  O Hospital Pequeno Príncipe é mantido pela ONG Associação Hospitalar de Proteção à Infância Dr. Raul Carneiro. Anualmente realiza mais de 260 mil atendimentos ambulatoriais e 23 mil internações por ano, das quais 15 mil são cirúrgicas, inclusive de alta complexidade como transplantes. Cerca de 70% da capacidade de atendimento é destinada aos pacientes do SUS.
  Com a primeira fase da ampliação em funcionamento, o Hospital já começou a arrecadar fundos para a renovação da infra-estrutura tecnológica e readequar os espaços físicos antigos. O projeto está orçado em R$ 12,4 milhões e já foi aprovado pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente. A reforma modernizará o Centro Cirúrgico, o Centro de Imagem, o Laboratório, as áreas que demandam tecnologia da informação (como postos de enfermagem e salas de serviço das especialidades) e a administração.

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