Aos cinco anos, Vitória de Oliveira Garcia já deixou bem claro à mãe Maria Helena que não quer mais sair de casa sem batom. ''Ela começou a se interessar por maquiagem desde os dois, três anos. Como sou vaidosa e uso todos os dias, acho que acabei influenciando um pouco. Hoje, a Vitória já quer passar tudo, até sombra'', conta.
Se é certo que vaidade não tem idade, ao menos ela tem recomendações que devem seguidas com rigor, principalmente em crianças. Uma pesquisa realizada em lojas de cosméticos e de produtos populares no Centro de Londrina constatou que mais da metade dos cosméticos de uso infantil como esmaltes, batons, blushes, brilhos labiais e fixadores de cabelo, não possuem registro no Ministério da Saúde.
A avaliação foi feita pela farmacêutica Mariana Christina Fedatto Queiroz, através do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na graduação de Farmácia da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Ela analisou 20 amostras de produtos em seis lojas e concluiu que 55% não têm registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que fiscaliza a segurança dos itens. ''Esse tipo de produto é classificado como grau de risco 2. Ele deve ter a eficiência e segurança comprovadas assim como todos os produtos infantis, que devem passar por uma série de testes, comprovando que são seguros para a criança'', explica.
Além disso, foram constatadas irregularidades nos rótulos sobre a indicação de componentes, faixa etária, instruções de uso e cuidados de conservação. Os esmaltes e os blushes foram os piores. Das amostras avaliadas, 75% estão totalmente fora das especificações corretas. ''Não tinha nenhum componente proibido, mas não eram produtos voltados para criança'', diz ela, ao ressaltar que os esmaltes usados pelo público infantil devem ser facilmente removíveis com água.
As sombras não entraram na pesquisa, pois segundo Mariana, o uso não é permitido entre o público infantil, assim como as maquiagens que acompanham brinquedos como as bonecas. ''Acho que esse resultado é importante para que muitos pais tomem conhecimento sobre o tema'', salienta a farmacêutica, ao indicar o site da Anvisa para pesquisa sobre o produto adquirido.
A indicação do registro na embalagem pode ser precedida pelas iniciais MS, ANVS ou pelo nome Anvisa, seguido de um número com nove ou 13 dígitos, iniciados sempre pelo número dois.
Alergia
Para Sara Correia, de 11 anos, o ritual antes de ir para a escola é sagrado. Ela usa lápis preto para contornar os olhos, rímel, blush e um brilho labial para dar o toque final. ''Gosto de me sentir arrumada e todas as minhas amigas também usam maquiagem'', comenta. ''Não gosto que ela use base, pois acho que ainda é muito cedo, mas ela é muito vaidosa e faz questão de estar maquiada'', afirma a mãe Eliana.
A dermatologista Magda Inês Zani Ibrahim explica que, assim como os adultos, as crianças e adolescentes estão sujeitos a ter alguma reação alérgica decorrente do uso de maquiagem. ''Muitas vezes as chances são até maiores porque a criança tem uma pele muito mais sensível, mas não é comum ter casos assim na rotina da clínica'', diz.
De acordo com ela, a orientação dada aos pais é sobre a certificação dos cosméticos infantis no Ministério da Saúde. ''Devem ser produtos testados e regitrados na Anvisa. Além disso, é importante lembrar que em crianças que já têm histórico de dermatite, vale passar por um dermatologista para que ele possa fazer um acompanhamento nesse sentido. Tem cremes e hidratantes que são da linha médica e têm o objetivo de ser menos alergênicos possível, mas não temos ainda nessa área, produtos como maquiagem para crianças'', ressalta.
Outra indicação da dermatologista é sobre o uso de demaquilantes. Segundo ela, muitos desses produtos contêm álcool e ácidos. ''O correto é não utilizá-los em crianças e fazer a remoção da maquiagem com água e sabonete neutro. Se houver necesssidade, pode ser usado também um hidratante neutro, específico para o público infantil'', salienta.

Imagem ilustrativa da imagem Pequenas vaidosas, grandes cuidados
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