Pequenas usinas são a bola da vez
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sábado, 26 de março de 2011
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
Apesar de afirmar que o Paraná não tem mais condições para a construção de novas grandes usinas hidrelétricas, o engenheiro agrônomo, Luiz Antonio Rossafa, que já esteve na diretoria de importantes entidades do setor, acredita que o foco agora, deve ser nas unidades menores, essencialmente nas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). ''Além destas, locais onde o barramento já existe e o que falta é a unidade geradora. Lugares onde poderia haver produção de energia abaixo de 1 megawatt, o qual temos um grande potencial'', explica.
Já para a geração de energia em grande escala, Rossafa diz que não há outro caminho senão a biomassa. ''É preciso investir em unidades com processos industriais, onde possamos ter um coproduto da energia elétrica que é o vapor. Para isso, fundamental a criação de parques industriais para viabilizar a canalização deste vapor.'' Para ele, uma das alternativas com resultado a curto prazo é a utilização dos resíduos da cana-de-açúcar. ''Num estado agrícola como o nosso, o vapor é um insumo estratégico e obrigatório para uma série de indústrias de processamento da produção rural e da pecuária.''
Além da biomassa, o engenheiro destaca a geração em unidades menores como as antigas indústrias papeleiras onde a raspagem da madeira era feita com a força da água. ''No caso da existência de uma rede de alta tensão próxima, pode ainda ser usada a metodologia de geração de energia com o gás metano da utilização do biodigestor da suinocultura. Gerar energia com gás é uma coisa simples'', pontua o especialista, acrescentando que ao se fazer uma ligação de rede em paralelo quando o profutor precisa de energia ele usa da Copel, quando sobra do gerador ele vende para a Copel.
Se num primeiro momento inicativas como essa podem ser consideradas tímidas, Rossafa defende que, somadas, representam uma grande geração de energia a baixo custo. ''Na falta de uma Secretaria de Energia, a Copel seria fomentadora e indutora desses projetos. A cogeração, no entanto, depende diretamente de políticas públicas'', avalia.
Sobre os desafios, ele novamente pontua sobre a necessidade de políticas duradouras para o etanol e biodiesel. ''O etanol é estratégico e fundamental para o Brasil. Mas o aumento do preço mostrou como é perverso quando há inversão de interesses comerciais. Já no caso do biodiesel, o problema é que ainda está ancorado numa matéria-prima nobre como a soja. Ainda é preciso investir em pesquisas para abrir o leque de matérias-primas mais confiáveis para grande escala'', esclarece.


