A violência urbana que tanto atormenta as metrópoles se tornou corriqueira também no interior. As gangues organizadas, os assaltos à mão armada, muitas vezes com reféns, além dos furtos e arrombamentos generalizados, se tornaram comuns também nas pequenas cidades.
Na região de Umuarama, os índices de violência aumentam sem parar e assustam até mesmo as pequenas comunidades rurais, onde até pouco tempo os moradores podiam dormir tranquilos, deixar roupas no varal, deixar suas casas abertas ou sair com a certeza de que tudo estaria no lugar quando voltassem.
Na zona rural, a realidade também ficou muito diferente do que era há uma ou duas décadas. Os crimes no campo começaram com assaltos organizados por quadrilhas a grandes fazendas para roubar veículos, maquinário, móveis e objetos de valor. Agora, ninguém mais está a salvo.
Os ladrões ''visitam'' até mesmo as casas mais humildes. Quando não arrombam as casas, levam o que encontram nos quintais, mangueiras ou galpões. Roubam de tudo, de tratores a galinhas. Os moradores não podem mais deixar as casas sozinhas.
O que mais assusta a população é que a maioria dos crimes é cometida por menores ou com a participação deles. Um número cada vez maior de crianças e adolescentes parte para a marginalidade cada vez mais cedo e com mais ousadia. Adolescentes que em outros tempos praticavam pequenos furtos aproveitando-se da distração das vítimas, agora realizam assaltos à mão armada em plena luz do dia. Os adolescentes também estão envolvidos, direta ou indiretamente, na maioria dos homicídios.
A falta de emprego e de perspectiva de futuro e o aumento do consumo de drogas estão por trás desta escalada da violência nas comunidades do interior. Em agosto, o assassinato de um adolescente de classe média praticado por outros menores por causa de uma dívida de crack chocou a população de Umuarama. Os moradores passaram a cobrar maior repressão ao tráfico e consumo de drogas e a retirada dos menores das ruas.
Em cidades menores, os adolescentes já lideram pequenas organizações criminosas que desafiam a polícia e amedrontam a sociedade. Para piorar, o aparato policial em todas as cidades é deficiente. Em algumas comunidades, não existe policiamento. É o caso do distrito de Serra dos Dourados, em Umuarama. Com quase mil habitantes, o distrito tem apenas um policial militar que está de licença por seis meses e não foi substituído.

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