Como pode uma vegetação típica do Centro-Oeste do País ter ‘‘encontrado ambiente’’ em Campo Mourão? É a dificuldade de responder a essa pergunta que fez com que uma pequena área de 1,3 hectare ganhasse destaque e chegasse a gerar polêmica na cidade. A área, dentro do perímetro urbano, é tudo o que resta de mais de 10 mil hectares de cerrado que Campo Mourão chegou a ter até os anos 50.
Parece pouco, mas as duas quadras de cerrado que restaram já mereceram até comemoração. Depois que o Departamento de Geografia da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) começou a brigar pela área, em 1987, a vegetação passou por um incêndio e uma ‘‘misteriosa’’ capina. Isso sem contar que o local quase foi loteado em 1990.
O fim do drama do cerrado veio há três anos, quando a Prefeitura cercou a área e criou oficialmente a Estação Ecológica do Cerrado, passando a administração para a Fecilcam. Para completar, este ano foram construídas salas que facilitam o estudo e a pesquisa no local. ‘‘Esta reserva é uma verdadeira relíquia para a história do município’’, diz a professora Léia Denardi, da Fecilcam.
De tão pequena, já houve quem sugerisse que a Estação do Cerrado fosse incluída no Livro dos Recordes, como menor estação ecológica do mundo. Menor, mas não menos importante. Há três anos, o professor Paulo Nogueira Neto, do Departamento de Ecologia Geral da Universidade de São Paulo (USP), ficou sabendo da área e ficou fascinado. Segundo ele, em todo o mundo não existe um cerrado tão ao Sul como o de Campo Mourão.

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