Na casa de Daiana Aparecida Olegari, 34, quase todo mundo teve dengue. Ela, a filha de 15 anos e o irmão mais novo tiveram a confirmação da doença há cerca de 10 dias. "Muita dor de cabeça, nos olhos e muita, muita fraqueza", descreve.

Poucas casas acima, Maria das Dores Onorato, 76, recebeu o resultado do exame na sexta-feira (15). "É dengue. Tô com dor de cabeça, no corpo todo. Agora vou começar o tratamento", diz a aposentada.

Andar pelas ruas dos jardins Franciscato I e II e conjunto São Lourenço, na zona sul da cidade, é se deparar com moradores que estão com dengue ou a suspeita da doença. Os dois bairros estão na área de abrangência da UBS (Unidade Básica de Saúde) Itapoã, que engloba cerca de 18 mil habitantes.

A região enfrenta uma epidemia há algumas semanas. Do total de 358 casos confirmados, 202 são somente nesta localidade, segundo o último levantamento divulgado pela SMS (Secretaria Municipal de Saúde) na quinta-feira (14). Outros 1.433 casos estão em análise.

A preocupação com os números da dengue nessa região levou a própria comunidade a pedir ajuda para o poder público. Quem encabeçou essa missão foi Rosalina Batista, coordenadora do Centro de Assistência à Saúde da região sul.

O pedido dela foi atendido e na manhã deste sábado (16), equipes e caminhões da prefeitura percorreram os bairros fazendo um 'pente fino' contra o Aedes aegypti.

Imagem ilustrativa da imagem 'Pente fino' contra a dengue em Londrina
| Foto: Saulo Ohara/Grupo Folha



Os agentes de endemias vistoriaram imóveis e eliminaram possíveis criadouros em vias públicas com a ajuda de funcionários da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Sete ACSs (Agentes Comunitários de Saúde) também conversaram com moradores sobre os sintomas e tratamento.

Para atender exclusivamente os pacientes com suspeita ou confirmação de dengue, a UBS Itapoã está com horário estendido, das 19h às 23h. O mutirão será repetido no próximo sábado (23) e na sexta-feira (22), está programada uma reunião com donas de casa no salão paroquial da Igreja São Lourenço do Jardim Jatobá, às 15h.

"Vamos conversar sobre a limpeza dos quintais, pois 70% dos focos estão dentro das casas. Precisamos nos mexer", ressalta Batista, que também já foi vítima da dengue.

O presidente da Associação de Moradores do jd. Franciscato I e II, Luis Carlos de Camargo, participou do mutirão e demonstrou uma grande preocupação com o lixo reciclável.

"Existem muitos trabalhadores de reciclagem no nosso bairro e por isso há muito descarte incorreto dos materiais que não se pode aproveitar", afirma. Ele fez questão de mostrar à reportagem uma cratera que se abriu no fundo de vale do Franciscato II, que está se tornando um lixão.

"É complicado porque nenhum equipe consegue ter acesso para recolher o lixo que está lá embaixo. Vamos ter que pensar em uma solução, incluindo um trabalho de conscientização com esses trabalhadores", aponta.

De acordo com a diretora de vigilância em Saúde, Sônia Fernandes, as ações de combate ao mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e zika, estão sendo intensificadas há um certo tempo nas imediações da UBS Itapoã.

No entanto, ela aponta que agentes de endemias vêm registrando um taxa de reincidência de focos do mosquito em torno de 60% nos quintais das residências. "Isso só reforça o quanto é importante conscientizar os moradores. Precisamos do auxílio de toda a comunidade", diz.

CLIMA PREOCUPANTE

Fernandes diz que a tendência é que os índices de infestação por Aedes aegypti comecem a apresentar uma queda nas próximas dez semanas previstas de circulação do vírus da dengue, ou seja, até o mês de maio.

Porém, ela demonstra uma certa preocupação com o clima das últimas semanas. A combinação de chuva e calor é propício para o desenvolvimento mais rápido do vetor. "Nessas condições, eles se desenvolvem entre cinco e dez dias, e em apenas um criadouro uma fêmea pode botar até 600 ovos", alerta.

mockup