Pensionato no centro maltratava idosos
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quinta-feira, 19 de novembro de 1998
Paulo Ubiratan 
A promotora da Vara da Família Infância e Juventude de Londrina, Edina Maria Silva de Paula, autuou no final da tarde de ontem um pensionato onde viviam 12 idosos em situação degradante. Falta de higiene, alimentação inadequada e promiscuidade foram alguns motivos alegados pela promotora. Ela constatou também que alguns idosos poderiam estar sendo lesados nas suas aposentadorias, recebidas pela proprietária da pensão, Maria Aparecida Caconi.
Maria Aparecida não se encontrava no local, mas Margarete Ramos da Silva, que disse ter assumido ontem a direção do pensionato, apresentou-se como sua representante. Quatro idosos doentes foram removidos para o Centro de Convivência para Idosos, na Rua João Correia dos Santos, 400 (zona oeste). O pensionato, localizado na Rua Duque de Caxias, 4569 (centro), tem 18 quartos - sem janelas, e que mal comportam uma cama - e três banheiros. As denúncia foram feitas oficialmente pelo Instituto Nacional Seguridade Social (INSS) de Londrina.
A promotora prometeu fechar o pensionato na próxima semana e solicitar instauração de inquérito policial para apurar responsabilidades. Ainda não sei como vou enquadrar os responsáveis, pois no local constatamos diversas irregularidades. Por enquanto somente sei que presenciei um quadro terrível de desumanidade que não pode ficar impune, desabafou. Na batida, a promotora estava acompanhada de uma equipe de policiais do setor operacional da 10ª Subdivisão Policial, chefiada pelo delegado Valter Abrahão, e da assistente social da Secretaria de Ação Social, Marisa Harume. A assistente social esteve no prensionato pela manhã e constatou que até as 11h30 o almoço não havia sido preparado. Na ocasião ela recebeu denúncias de que os documentos da maioria dos idosos ficavam em poder de Maria Aparecida, que recebia mensalmente as suas aposentadorias.
Cesar AugustoPromotora Edina de Paula prometeu fechar a pensão e instaurar inquérito policialFidelcino Gomes, 68 anos, estava revoltado e foi o primeiro a subir na Kombi que transportaria os idosos para o Centro de Convivência. Com dificuldade para falar, Esteves Odácio afirmou que quem recebia sua aposentadoria era Maria Aparecida. Ela escondeu os meus documentos, queixou-se. Um dos casos mais graves era o de Aloísio dos Santos. Com infecção generalizada nos olhos e recebendo medicação inadequada, ele corria o risco de perder a visão. A assistente social verificou que nenhuma das quatro pessoas que trabalhavam no pensionato estavam habilitadas para exercer a função. Segundo a promotora, para atendimento aos idosos seriam necessárias pessoas com formação nas áreas de enfermagem, psicologia e nutrição. Apesar das condições do pensionato, os idosos pagavam R$ 90,00 de mensalidade.
Policiais que ajudaram na remoção dos idosos informaram que o pensionato existe há mais de 10 anos e sempre criou problemas para a polícia. A proprietária já teria sido advertida pelo delegado Valter Abrahão sobre as péssimas condições de higiene do local e a situação de promiscuidade em que os velhos estavam vivendo. Ontem, o delegado ressaltou que o maior problema é da esfera social; o policial é decorrência.


