Pensei que meu filho não iria sobreviver
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina - A Pastoral da Criança salvou a vida do filho da dona de casa Eliane Lima Macedo, de 34 anos. Até os três anos de idade, Emerson, hoje com 15, era muito magro, desnutrido e quase não comia nada. "Nem leite ele tomava", conta a mãe de mais sete filhos, todos acompanhados pela Pastoral durante a infância.
O trabalho das voluntárias e a multimistura foram fundamentais para o menino recuperar o peso e ganhar saúde. "Pensei que ele não iria sobreviver. A Pastoral da Criança salvou o meu filho e continua salvando ainda hoje muitas crianças", relatou a moradora do Jardim Rosa Branca, na zona leste de Londrina. "Hoje ele é um rapaz forte, com saúde, que trabalha e estuda", frisa, orgulhosa a mãe.
A Pastoral da Criança chegou aos bairros mais carentes zona leste de Londrina, como Santa Fé, Marabá, Rosa Branca e Monte Cristo, há 20 anos. O trabalho até hoje é realizado pela Pastoral da Criança da Paróquia Nossa Senhora do Amparo, do Jardim Interlagos.
No início, o atendimento se restringia a 30 crianças, mas chegou ao auge de atender mais de 400. Hoje, 85 meninos e meninas da comunidade recebem apoio constantemente da Pastoral. "A situação atual é muito melhor que há 20 anos. As famílias não são tão miseráveis como antes. Existem os programas sociais do governo, muitas mães trabalham na reciclagem do lixo e isso ajuda. As crianças vão para a escola ou a creche, diferente de antes quando elas ficavam o dia inteiro na rua", conta Irene Pauletti, de 62, com a experiência de quem desde 1993 é voluntária na comunidade.
A Pastoral da Criança realiza a pesagem das crianças uma vez ao mês e visita as famílias cadastradas mensalmente também, onde conversam com os pais e os filhos. "Nós analisamos a saúde das crianças, se há alguma doente e convidamos sempre para participar da pesagem e receber a mistura", explica Irene.
O trabalho da Pastoral atravessa gerações. A dona de casa, Ana de Fátima Silva, de 50, sempre levou os oito filhos para o atendimento das voluntárias e hoje faz questão de levar a neta Ana Gabriela, de dois anos.
"Um dos meus filhos, hoje com 23 anos, sempre comeu mal, vomitava e ficava muito doente. Nunca soube o que ele tinha, mas com a multimistura ele conseguia beber leite. Isso o fortaleceu e o fez crescer com saúde", aponta a moradora do Jardim Santa Fé.
Mesmo ainda muito jovem, Daiane Aparecida Góes, de 21, sabe da importância de levar os filhos para a pesagem. O caçula, Adryan, de nove meses, desde o nascimento é acompanhado pela Pastoral da Criança. "O peso dele está normal, mas mesmo assim eu sempre levo a mistura. É muito importante este controle e por isso todas as mães deviam levar seus filhos", recomenda a moradora do Santa Fé.


