Pense bem e descubra qual é a sua mania
Pense bem e
descubra
qual é a
sua mania
Hábitos estranhos ou gostos excêntricos se transformam em piadas. E também dão dor de cabeça para muita gente
Tem gente que só dorme
depois de girar as
chaves do guarda-roupas
para o lado direito
Guilherme Pupo
Quem assistiu Melhor Impossível (As Well as It Gets), certamente lembrou de algum conhecido ou se identificou com alguma das manias do personagem vivido por Jack Nickolson. No filme, o ator tinha hábitos exagerados de limpeza, como o de não pisar nos vãos da calçada (onde se acumula mais sujeira). No restaurante - sempre o mesmo, onde ele fazia questão de ser atendido pela mesma garçonete, na mesma mesa -, utilizava talheres descartáveis. Ao pegar um táxi, vestia luvas de plástico para não encostar a mão no trinco da porta. Em casa, cada vez que lavava as mãos utilizava um sabonete novo. Também tinha manias de segurança - como fechar a chave da porta de casa várias vezes.
Para a psiquiatra Maria Luiza DAvila Pereira, professora da Universidade Federal do Paraná, as famosas manias são sintomas de uma neurose obsessiva que ocorrem em menor ou maior escala e podem se manifestar em qualquer pessoa (não necessariamente neuróticas). As pessoas desenvolvem atos compulsivos por uma razão inconsciente, mas geralmente sustentados por uma fantasia, diz.
Ela cita casos de gente que só dorme depois de virar as chaves do guarda-roupa para o lado direito, ou pessoas extremamente organizadas, que não podem ver um objeto fora do lugar - querem organizar por fora o que não conseguem organizar por dentro.
Segundo a psicanalista, dependendo do grau das manias, a pessoa fica presa a um ritual que a impede de trabalhar ou de agir - e geralmente perturbam a vida de outras pessoas que vivem ao seu redor.
Ela observa que, em alguns casos, as próprias superstições - como não passar embaixo de uma escada ou bater três vezes com a mão na madeira para isolar - podem estar ligadas a atos compulsivos. Se a pessoa não tivesse um pensamento ou fantasia que a levasse a fazer isso, ela não faria, analisa.
Maria Luiza DAvila Pereira diz que esses atos são mais comuns em homens, e que as mulheres têm mais tendência para a histeria. Uma paciente que atendi passava horas no supermercado para escolher um xampu que tivesse melhor qualidade com o menor preço, conta.
Segundo ela, os atos compulsivos têm origem na infância mas podem se manifestar vários anos depois. Nos casos clínicos, o paciente deve tratar a fantasia que originou as manias. Os medicamentos auxiliam a baixar a angústia e fazem desaparecer os sintomas, mas não curam a doença, observa.





