Warren NabucoPrimeira da filaMarli Pereira é atendida pela promotora Solange Vicentin: novas informações e esperançasQuando a equipe da Promotoria da Comunidade chegou, quinta-feira à noite, no Núcleo Espírita Irmã Scheilla, no jardim Marabá (zona leste), um grupo de moradores já estava no local. A empregada doméstica Marli Pereira de Paula, 22 anos, moradora do jardim Santa Fé, foi a primeira a ser atendida. A exemplo de outras pessoas, ela passou por uma triagem, feita por estagiários de Direito, e, em seguida, foi conversar com a promotora Solange Novaes da Silva Vicentin.
Marli de Paula conta que procurou o serviço por sugestão de uma prima, para requerer pensão alimentícia para seu filho Maison, de seis anos. ‘‘O pai dele pagou pensão durante uns dois meses e depois parou.’’ Ao ser atendida pela promotora, ela constatou que teria de pedir pensão também para seu filho mais novo, Cristian Mike, de quatro anos.
Questionada pela promotora sobre as certidões de nascimento, Marli de Paula soube que, antes de requerer a pensão, teria de providenciar o registro dos filhos pelos respectivos pais, cujos nomes não constam nos documentos. ‘‘Nem sabia que eles tinham obrigação de colocar o nome nas certidões’’, disse Marli.
Solange Vicentin notificou os pais a comparecerem na próxima quinta-feira no Irmã Scheila para discutir, inicialmente, o registro das crianças. Em seguida, será estudada a pensão alimentícia. Animada com a possibilidade de conseguir a pensão para os dois filhos, Marli diz que agora irá lutar até o fim. ‘‘Se preciso, vou até entrar com uma ação.’’
Casos como o de Marli de Paula, que buscam pensão alimentícia para os filhos, são comuns, segundo a promotora. Ela conta que, muitas vezes, isso requer um trabalho de investigação. Ela lembra de uma moradora do jardim Santa Fé que queria descobrir o pai de seu filho, mas não sabia nem o nome dele, apenas que trabalhava em uma fazenda de Bela Vista do Paraíso. Solange Vicentin relata que entrou em contato com o juiz daquela comarca e ele conseguiu encontrar o pai. ‘‘Ele assumiu a paternidade da criança.’’
Solange Vicentin confirma que questões familiares são mais comuns, mas lembra de alguns episódios curiosos que teve de atender. Ela explica que, há algum tempo, um homem procurou a promotoria para relatar que, há cerca de 10 anos, viu uma propaganda alertando que pessoas com determinado sobrenome poderiam ser herdeiras de um comendador do interior gaúcho.
Por ter o sobrenome citado na propaganda, ele ficou interessado e pagou uma determinada quantia a um intermediário de um advogado gaúcho, mas nunca mais teve notícias sobre o caso. Na esperança de ser um dos herdeiros do comendador, ele recorreu à promotoria para obter informações. Foi enviado um ofício à comarca onde estaria ocorrendo o fato e 20 dias depois Solange Vicentin obteve a resposta: se tratava de um processo de anulação de testamento e o caso já havia se encerrado em 1994 ou 1996.
Moradores do jardim Santa Fé que adquiriram enciclopédias por mais de R$ 100,00 mas não tinham como pagar também recorreram à Promotoria da Comunidade. Elas relataram a Solange Vicentin que um vendedor passou pelo bairro oferecendo os livros, cujo pagamento seria efetuado através de carnês, a serem pagos nos bancos.
As pessoas receberam as enciclopédias, mas quando os carnês chegaram constataram que não tinham como pagar. Preocupadas em devolver as enciclopédias, elas procuraram a promotoria. Solange Vicentin conta que foi enviada uma carta para a editora, explicando que as pessoas eram extremamente carentes e que não tinham condições de quitar a dívida. Ela sugeria que a editora aceitasse os livros de volta. ‘‘Estamos aguardando a resposta.’’

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