Começa a quaresma e, com ela, a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica que, este ano, enfoca a situação dos idosos. Uma questão da maior relevância até porque vai crescendo, no Brasil, o percentual dos idosos em relação à população, efeito da maior perspectiva de vida do povo. Hoje, o Brasil já tem um percentual elevado de pessoas na chamada terceira idade e a previsão é a de que esta participação aumente.
Esta realidade implica na necessidade de uma alteração profunda até nos conceitos a respeito do idoso e de sua participação na vida comunitária. Há alguns anos, os mais velhos, uma faixa bem menor da sociedade, eram vistos e considerados como um peso morto, representando sacríficios e obrigações para as famílias. Crescendo o número dos idosos, é preciso que mude a forma de encarar sua situação, inclusive deixando se ver os mais velhos apenas como um peso para a coletividade.
O idoso quer e pode ter uma vida normal. O chamamento da Campanha da Fraternidade é, neste sentido, de grande importância para uma conscientização que, porém, não pode se resumir à quaresma.
Exemplo típico
O tema da atenção aos idosos (e, principalmente, da falta de respeito em relação a eles) fica muito bem explicitado por uma reclamação recebida, ontem, através de uma senhora que foi submetida a um vexame na porta da sala 4 do Cine Catuai. Conta que foi com a filha ao cinema e, por ser aposentada, comprou meio ingresso. E revela que foi brutalmente tratada na porta quando foi-lhe informado que o meio ingresso é só para quem tem mais de 60 anos (o que não era o caso). A leitora conta que desconhecia o detalhe da idade e que, como aposentada, acreditava poder entrar com meio ingresso.
O mais grave, porém, segundo ela, foi a forma truculenta com que foi tratada. ''Ia ver o filme 'Prenda-me se for capaz' e quase acabei eu presa'', contou com um resto de humor, explicando: ''Quando pedi a chave do carro à minha filha, para ir embora, chamaram a segurança, sei lá porquê''.
A leitora, que nem citou a Campanha da Fraternidade, pediu apenas que a Praça fosse porta-voz da queixa e do pedido para que a direção do cinema tivesse um pouco mais de cuidado e de respeito em relação ao público. ''Uma simples palavra delicada de esclarecimento poderia resolver o assunto, sem ofender as pessoas'', completou.

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