Penitenciária reduzirá horário de visitas
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domingo, 12 de setembro de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O marido de Ana Maria (nome fictício) foi transferido recentemente da Casa de Custódia de Londrina (CCL) para a Penitenciária Estadual (PEL), onde deve cumprir o resto da pena de 45 anos a que foi condenado por latrocínio. Como a CCL mantém um regime de visitas em turnos de meio período, ontem foi a primeira vez em um ano e um mês que o marido de Ana Maria iria passar o dia inteiro com a esposa e os filhos gêmeos.
Ontem, no entanto, foi a única visita em período integral que Ana Maria pôde fazer ao marido. A partir da próxima semana, obedecendo a uma determinação do Departamento de Penitenciárias do Estado (Depen), as visitas na PEL também estarão limitadas a um período de três horas.
Na última sexta-feira, o coordenador do Sistema Penitenciário do Depen, coronel Justino Sampaio, explicou que a medida visa oferecer mais segurança aos complexos carcerários, reduzindo o número de visitantes por horários e padronizando as operações nas penitenciárias do Estado. Familiares de detentos na PEL acreditam, porém, que a redução do número de visitas pode ocorrer pelas dificuldades que o novo horário vai impor às famílias dos detentos.
De acordo com o inspetor de segurança da PEL, Ederval Batista, até este fim de semana, as visitas poderiam ser realizadas aos sábados e domingos, das 8 às 16 horas. A partir do dia 19, os detentos serão divididos em grupos de acordo com as galerias que ocupam e as visitas estarão limitadas aos sábados, das 10 às 14 horas, e aos domingos, das 8 as 12 horas e das 13 às 17 horas.
''Com esse horário, eu já nem sei se vai compensar sair de Cornélio Procópio para visitar meu irmão. Além disso, não é sempre que podemos vir de manhã para Londrina. Se os horários não coincidirem, como a gente vai fazer?'', perguntou Fernanda (nome fictício), que preferiu não se identificar, como Ana Maria, temendo discriminação. ''De ônibus já sabemos que não poderemos vir, pois sempre chegamos aqui por volta das 10 horas. Se contarmos que ficamos pelo menos uma hora na fila, será só uma hora para a visita'', calculou.
O inspetor de segurança da PEL acredita na eficiência da medida para aumentar a segurança na penitenciária, com a redução da quantidade de presentes no pátio, projetado para receber 360 pessoas. A PEL, que tem capacidade para abrigar 504 presos, tem 585 e com as visitas, chega a receber até 700, segundo Batista. A suposta superlotação durante as visitas, no entanto, é contestada por Cristina (nome fictício). ''Hoje (ontem) realmente tem bastante gente na fila. Mas o problema é que todos querem aproveitar o último dia integral de visitas, e como também é o segundo domingo do mês, as crianças podem vir'', disse.
''Mal vou poder aproveitar meu passe de ônibus'', reclamou Joyce (nome fictício), que visita o marido preso há um ano e três meses por tráfico. ''Minha filha, que conhece o pai mais tempo dentro da cadeia do que fora, vai ter ainda menos tempo para conviver com ele''.


