Penitenciária julga envolvidos em rebelião
A comissão disciplinar da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) enquadrou ontem em sanções graves 20 dos 21 presos acusados de envolvimento na rebelião do último dia 13. Composta por psicóloga, pedagoga, assistente social, representante do setor laborterápico, agente penitenciário, chefe de segurança, secretário e advogado de defesa, a comissão foi presidida pelo vice-diretor da PEL Manoel Gonçalves Neto. Identificados pelos funcionários como líderes do motim, os 20 presos foram enquadrados no capítulo III do Estatuto Penitenciário do Estado do Paraná. Apenas um dos presos, aluno da turma de supletivo que funciona na PEL, foi absolvido. Os internos não participaram do julgamento.
Segundo o artigo que trata das faltas e sanções graves, os presos vão ficar isolados por 30 dias. Nesse período eles estarão confinados em sete cubículos da 4ª galeria do presídio, sem tomar sol, sem fumar e receber visitas. Apenas o atendimento médico será permitido. Temos que ser humanitários, ressaltou o vice-diretor Gonçalves. Os internos sancionados pela comissão podem ter suas penas aumentadas, se forem condenados em inquérito que deve ser aberto pela Polícia Civil.
A pedagoga Kazuko Numata, membro da comissão, fez um breve relato dos delitos cometidos pelos internos. Um agente penitenciário expôs a versão dos funcionários responsáveis pela segurança, seguido pelo advogado de defesa Francisco Carlos Melatti, que apresentou o depoimento dos presos. No pronunciamento do juiz corregedor de presídios Roberto do Valle, lida durante a sessão, a ação do Pelotão de Choque da Polícia Militar foi elogiada. Segundo a declaração, o juiz solicitou que os detentos fossem sancionados. Todos os integrantes da comissão concordaram sobre as penas imputadas.
Além dos 21 presos identificados no motim, também foram citados mais 42, que estavam na oficina de artesanato, onde começou o tumulto. Outros 36 internos não foram reconhecidos pelos agentes penitenciários. Para brevidade processual e economia de tempo, o advogado de defesa pediu que somente os 21 acusados fossem levados a julgamento, que durou três horas e meia.
Antes de começarem a julgar a rebelião do dia 13, a comissão discutiu as infrações acontecidas na semana anterior. Desacato aos agentes, uso e porte de droga são as faltas mais comuns, consideradas de nível médio a grave. As penalidades incluem desde advertência até o isolamento celular.
O julgamento foi acompanhado pela reportagem da Folha, com a autorização da direção da Penitenciária Estadual de Londrina. Foi a primeira sessão na PEL acompanhada por profissionais dos meios de comunicação.





