Penitenciária faz sete anos sem fugas
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2001
Benedito Telles De Santo Antônio da Platina 
A Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) completa hoje sete anos de funcionamento, com um histórico pouco comum no sistema penitenciário brasileiro. Considerada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado como prisão de segurança máxima, não registrou fugas e foram poucos os tumultos neste período. A rebelião mais séria aconteceu em dezembro do ano passado e deixou um saldo de cinco agentes penitencários, seis professores e 14 presos feridos.
O diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi, que tomou posse no início deste mês, administra 5,8 mil metros quadrados de área construída, seis pavilhões e 60 celas com capacidade para 360 presos, que cumprem pena em regime fechado. Existem sete cubículos para o isolamento. No momento, o presídio está operando no limite máximo. Kitanishi informou que 220 funcionários, entre agentes, técnicos e pessoal administrativo são responsáveis pelo funcionamento da unidade.
Pela lei, disse Kitanishi, os internos devem trabalhar ou estudar. Ou fazer as duas coisas. Todas as tarefas dentro da unidade são exercidas pelos próprios presos. Lavar, cozinhar, assar pão, cortar cabelo e barba são funções corriqueiras. Todas as refeições são preparadas por eles, afirmou o diretor. Os presos escolhidos para lidar com facas, navalhas e tesouras têm as fichas analisadas. Normalmente são aqueles que apresentam bom comportamento, comentou Kitanishi.
O diretor informou ainda que cada preso custa ao Estado uma média mensal de R$ 700,00. Este dinheiro deveria ser gasto antes de eles virem para cá. Infelizmente, fazemos o caminho inverso, disse Kitanishi. Dentistas, médicos, professores, assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras tentam remediar o que não foi prevenido. O clima tenso diminui no domingo, dia de visita. O motel é muito requisitado, comentou Kitanishi. O índice de doenças sexualmente transmissíveis, apesar da doação de preservativos, é alto.
A tensão é permanente, confessou o agente penitenciário Wagner Gill do Prado, na unidade desde a inauguração. Nós encaramos porque alguém tem que fazer este serviço. Segundo Prado, a sociedade tem uma visão distorcida da realidade dentro da PEL. Quando se fala em direitos humanos, não se pensa nos funcionários. José Roberto dos Santos, agente penitenciário há cinco anos na função, disse que o problema maior na PEL é o ladrão por hábito, que acaba se envolvendo em mais confusões. Os presos mais perigosos, geralmente, são aqueles que menos dão trabalho. Eles são mais inteligentes e têm consciência de suas ações aqui, comentou.
Na véspera do aniversário da penitenciária, os presos ficaram sem almoçar por um dia e doaram os alimentos a duas creches de Londrina. Eles estão fazendo mais por nós do que fizemos por eles, afirmou Regina Taniguchi, da Creche Escolinha Irmãs de Betânia, na Vila Nossa Senhora da Paz. O interno Alexandre (não informou o nome completo) disse que os presos pretendem doar mensalmente mantimentos para creches e asilos. Queríamos que os idosos soubessem que eles não estão esquecidos.
Na PEL, cada interno usa de uma tática para tornar a realidade menos dura. O padeiro Nilson assa 600 pães por dia. Ainda tenho um ano e meio de pena. Conto os minutos, relatou. Jonas é monitor de saúde e cuida da recreação. Brincar ajuda a vida ficar mais fácil.


