O impasse criado no final da semana passada em relação a três detentas que eram mantidas com os filhos dentro de uma cela do 2º Distrito Policial de Londrina trouxe à tona mais uma vez o problema da falta de penitenciária feminina na cidade, com estrutura para receber os filhos recém-nascidos das presas. Na sexta-feira, o juiz da Vara da Infância e da Juventude, Dimas Ortêncio de Mello, determinou a retirada das crianças - entre elas um recém-nascido de nove dias - do DP, encaminhando-as para entidades de assistência social e parentes.
A promotora da Vara da Infância e da Juventude, Édina Maria Silva de Paula, que encaminhou pedido de providências ao juiz, argumenta que se viu diante de uma difícil situação: ‘‘Ou garantia o direito à amamentação, deixando que aquelas crianças continuassem a viver naquele ambiente, ou garantia o direito à saúde e à vida. Enquanto promotora da Vara da Infância e da Juventude, meu papel é garantir a integridade física das crianças’’, disse.
Ela lembrou que a assistente social do Ministério Público encarregada de fazer um levantamento da situação, na sexta-feira de manhã, constatou que dentro da cela, de aproximadamente 10 metros quadrados, faz três vezes mais frio que no ambiente externo. ‘‘Naquela manhã, um dos bebês tinha sido encaminhado para o posto de saúde com forte gripe, sem nunca ter recebido qualquer tipo de vacina’’. Édina de Paula admite que o ideal seria que se criasse condições para os bebês continuarem mamando nas mães.
Até ontem à tarde, nenhum dos bebês voltou a ter contato com as mães ou a ingerir leite materno. Segundo a promotora, apenas uma das crianças continua em uma entidade. Tereza Berto da Silva, que levou para casa o filho de nove dias da cunhada Alcilda Alves Berto, disse que está dando leite de vaca misturado com água para a criança. ‘‘Ele ficou ressecado, mas agora está bem’’. Ela contou que anteontem teve que levar o garoto ao pronto-socorro do Hospital Universitário (HU) por causa da icterícia e, ontem à tarde, ia tentar fazer contato com o Banco de Leite daquele hospital para ver a possibilidade de fornecer leite materno ao sobrinho.
‘‘Eu não tenho como levar ele todos os dias para a mãe amamentar’’, explicou Tereza, que cuida também de outra filha de 11 anos, deficiente, de Alcilda. ‘‘Além disso, eu estou sempre olhando pelos outros nove filhos dela que estão em instituições. Sempre que tem algum problema, entro em contato com os conselheiros.
Tereza diz que acompanhou a gravidez da cunhada desde o começo e sempre pensou em adotar a criança. Não concorda, porém, com Alcilda ser transferida para Curitiba para poder ser mantida ao lado do bebê. ‘‘Se ela for removida, vai ter que levar todos os seus outros filhos, que também precisam do seu amor e carinho’’. Tereza disse que está tomando um remédio que estimula a produção de leite, fornecido pelo Banco de Leite do HU, para ver se consegue amamentar o sobrinho.
De acordo com informações fornecidas pelo Núcleo Social Evangélico (Nuselon), que abrigou a filha de Rita de Cássia Henriques, outra das detentas do 2º DP, o bebê de 20 e poucos dias está sendo alimentado com leite em pó. A instituição mantém uma média de 10 crianças em cada casa-lar e não tem voluntários suficientes para levar a filha de Rita de Cássia diariamente para ser amamentada.

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