Penitenciária é 'paraíso' para presos
Penitenciária é paraíso para presos
José SuassunaEdmídio Oliveira, de 39 anos, é o chefe do Setor de Prótese DentáriaOs presos que cumprem pena nas penitenciárias do Estado vivem situação privilegiada. Eles participam de canteiros de obras e contam com o auxílio de advogados, assistentes sociais, pedagogas e psicólogas. Na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, cerca de 1,5 mil presos cumprem suas penas. Eles são responsáveis por tudo, desde a limpeza do prédio até a produção da comida. Temos várias frentes de trabalho. Quem não participa da produção de bolas ou carrinhos, participa das oficinas internas da penitenciária, diz Cinthia Bernardelli Dias, diretora em exercício.
Todos os presos procuram vagas nas frentes de trabalho para terem direito à remissão da pena. Qualquer falta grave pode levar o preso a perder toda a progressão que fez durante o período de cumprimento de pena. Dos 1,5 mil internos, 120 já completaram o 2º grau dentro da própria penitenciária. Atualmente, cerca de 600 alunos estão matriculados nas diversas séries dos ensinos fundamental e médio. Têm alunos com extremas dificuldades e nossa responsabilidade é motivá-los, fazer com que eles não desistam, diz a pedagoga Maria Celeste Dias Pereira. Muitos internos participam ainda de cursos profissionalizantes, que vão desde culinária e elétrica até prótese dentária e informática.
Aos domingos, os familiares são recebidos pelos presos das 7 às 16 horas. As crianças de 7 a 13 anos, que vão visitar os pais, podem participar de aulas de recreação ou de cursos de karatê e capoeira. Uma média de 400 presos utilizam ainda o motel do presídio para os momentos íntimos com a mulher ou namorada durante os períodos de visitas. Ao todo são 74 quartos. Aqui dentro é uma cidade. Os internos têm de tudo e não ficam parados, assim poderão caminhar mais rapidamente para a recuperação, afirma a diretora.
Recuperação que pode ser sentida pelo estudante Edmilson Moraes Ortiz, de 25 anos. Ele é condenado há seis anos de prisão por estupro e já cumpriu metade da pena. Cheguei aqui com o primeiro grau incompleto. Já terminei o segundo grau e estou fazendo o quarto curso profissionalizante, diz satisfeito. Ortiz afirma que já sabe formatar e fazer desenhos no computador. Vou sair daqui capacitado, acredita.
Edmídio Martins de Oliveira, de 39 anos, é o chefe do Setor de Prótese Dentária, que produz cerca de 150 próteses e 30 consertos dentários por mês para atender todas as penitenciárias do Estado. Condenado há 13 anos e 4 meses por estelionato, ele já está fazendo as malas e pretende sair da penitenciária nos próximos 30 dias. Aqui a gente sonha 24 horas por dia com a liberdade, só penso na minha mulher e nos meus três filhos que estão em Umuarama, conta ele.
A última fuga registrada na Penitenciária Central do Estado, a terceira maior do País, foi em 1996. (L.P.)





