Penitenciária é inaugurada com atraso
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Gilmar Agassi Equipe da Folha 
Cascavel - Depois de dez meses de atraso, foi inaugurada ontem a Penitenciária Industrial de Cascavel, o segundo presídio industrial do Paraná. A solenidade contou com a presença do governador Jaime Lerner (PFL). A previsão inicial era de que o presídio, com capacidade para abrigar 240 detentos, fosse inaugurado em abril do ano passado. Segundo a Secretaria da Justiça, Segurança e Cidadania, o atraso se deu por motivos burocráticos como a contratação da empresa responsável pela segurança e a outra que usará a mão-de-obra dos detentos.
As dificuldades para inaugurar o presídio persistiram até o início deste ano. A empresa Falcon Estofados, de Arapongas, que venceu a licitação pública acabou desistindo do negócio. O Estado teve que correr atrás de outra empresa, até que foi definido a Estofados Anjos, de Capitão Leônidas Marques, para se instalar no local.
O complexo penal possui mais de 7 mil metros quadrados e custou cerca de R$ 7,5 milhões, sendo 80% do montante proveniente de convênios firmados com o governo federal. A administração ficará sob responsabilidade da empresa Humanitas, que contratou aproximadamente 100 agentes penitenciários e outros 35 técnicos que serão divididos nos diversos setores administrativos.
Para o governador Jaime Lerner, a penitenciária industrial é um exemplo para todo o País de como deve ser feita a reintegração social dos presidiários. Não se trata de uma penitenciária, mas sim de indústria que conta com um albergue. Estamos oferecendo condições humanas de respeito, disse, lembrando que cada cela abrigará somente dois presos.
Dos 240 detentos, pelo menos 180 trabalharão diretamente na confecção de estofados. Os outros 60 que não forem aproveitados na indústria, trabalharão nos demais setores da penitenciária, como cozinha, limpeza e lavanderia. Por mês, os detentos receberão um salário mínimo. Todos terão direito à remissão de pena.
Um dos principais objetivos da penitenciária será desafogar o mini-presídio da 15ª Subdivisão Policial que foi construído para acomodar 140 presos, mas até ontem estava com 379 detentos. Ainda ontem, os primeiros 42 detentos foram transferidos.
Para o empresário Claudinei Anjos, responsável pela indústria que vai operar no local, a maior dificuldade será o treinamento dos detentos.


