Penhora retira peça de prédio e deixa 40 famílias sem elevador
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaDecisão de juíza obriga moradores a descer pelas escadasUma ação trabalhista em fase de penhora, movida contra o proprietário do Edifício Nagib, prédio residencial de classe média baixa no centro de Foz, deixou cerca de 40 famílias sem elevador. Os moradores estão sem o serviço há mais de uma semana e são obrigados a subir os cinco andares pelas escadas.
A juíza da 2ª Junta Trabalhista de Foz do Iguaçu, Sueli Felippeto, determinou a retirada do motor do elevador do edifício de propriedade do empresário Nagib Tarabai. Além dessa ação, ele está respondendo a mais seis processos trabalhistas, segundo a secretaria das duas juntas trabalhistas da cidade.
A falta do elevador impôs outra rotina para cerca de 120 moradores do prédio. Isso é um absurdo. Uma ação trabalhista, onde nenhum morador tem envolvimento, acaba prejudicando a todos, diz Herman Lima, morador do segundo andar.
A situação mais complicada é de Aurora Calado, de 90 anos. Ela mora no quinto andar do prédio e está há uma semana sem sair do apartamento. Eu tenho dificuldades enormes para caminhar. Descer e subir cinco andares, é impossível. Infelizmente, essa juíza prejudicou pessoas inocentes e sem chances de se defender.
Para os moradores, a juíza Sueli Felippeto cometeu uma trapalhada sem tamanho. Eles enumeram os bens de Nagib, como um supermercado no térreo do mesmo edifício e lojas no centro da cidade. Porém, a juíza preferiu tirar a peça principal do elevador. Eu queria perguntar para essa juíza como ela se sentiria ao morar no último andar desse prédio e tivesse parentes doentes, mulheres grávidas ou fosse obrigada a subir com pacotes, questiona a moradora Juciara Moreira.
A 2ª Junta do Trabalho de Foz informou que a juíza Sueli foi transferida para Ponta Grossa e que o processo está sob a responsabilidade da juíza Giana Malucelli. Ontem à tarde, o diretor de secretaria, Gilberto Giuliano, informou que Giana Malucelli não poderia se pronunciar sobre o assunto porque estava com pauta de audiências lotada.


