Peneiras: jovens entre o sonho e a decepção
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Chelsea, Milan, Real Madrid. Os times mais famosos do mundo povoam hoje os corações e mentes dos garotos que sonham ser jogadores. O caminho para os clubes de ponta, no entanto, é árduo. E o primeiro passo deste longo trajeto é a peneira. A seleção dos garotos é a porta de entrada para o mundo do futebol. O problema é que poucos são escolhidos e a grande maioria fica no quase.
Para os reprovados, a alternativa é tentar de novo. Desistir é uma palavra que parece não existir no vocabulário dos pequenos boleiros. Em especial dos mais jovens, que não admitem outra possibilidade a não ser tornarem-se atletas profissionais. E para que a frustração não seja tão grande a ponto de desanimar o candidato, a orientação dos treinadores é o mais importante.
Considerado referência em categoria de base, o PSTC promove grandes peneiradas e é procurado durante todo o ano por jovens em busca do sonho de brilhar nos gramados mundo afora. E fontes de inspiração não faltam. Pelos campos do clube passaram craques como o pentacampeão Kléberson, hoje no Flamengo, Dagoberto (São Paulo), Rafinha (Schalke 04), Jadson e Fernandinho (ambos no Shaktar Donestk).
Mas a realidade da maioria é bem distante da rotina de conquistas, dólares e mulheres. Para se ter uma ideia, 280 jovens nascidos em 1995 participaram da primeira etapa da peneira promovida pelo PSTC em 10 de janeiro. Um mês depois, apenas 17 voltaram aos gramados do clube para continuar em busca de um lugar ao sol.
Para quem ficou fora, restam os ensinamentos dos técnicos, que garantem ter preocupação com a parte psicológica dos garotos. Quanto mais novo, maior é o cuidado. Deixamos claro que não é a única chance da vida dele, que deve continuar tentando. Talvez o jovem não consiga chegar ao profissionalismo, mas a atividade física é sempre saudável, afirma o coordenador Nilson Quintanilha Moreno.
O biotipo e a dinâmica no treinamento são essenciais para a avaliação. E quando o treinador avalia que é necessário, os atletas são orientados a trocar de posição. Aí, atacante vira zagueiro e lateral vira meio-campo. Foi o que ocorreu com Mateus Rodrigo dos Santos, 14 anos, morador do Jardim do Sol (Zona Oeste de Londrina).
O objetivo dele era tentar uma vaga no ataque. Como a concorrência entre os artilheiros era grande, passou a tentar um lugar como segundo volante. E assim tentar realizar o sonho de ser profissional. De preferência, como titular do Chelsea, um dos grandes clubes da Inglaterra na atualidade. Desde pequeno quis ser jogador. Sou flamenguista e quero ser igual ao Obina, comenta.
Diferentes nacionalidades
A globalização do futebol é um fenômeno consolidado e presente no imaginário dos possíveis futuros jogadores. Não é difícil encontrar torcedores de clubes espanhóis, ingleses ou italianos. Os garotos também têm como ídolos craques de diferentes nacionalidades. Como o corintiano Matheus Daniel Bueno, 13, que sonha brilhar como o português Cristiano Ronaldo, atual melhor jogador do mundo escolhido pela Fifa. Meu sonho é jogar no Chelsea, que é um time famoso e rico, revela.
A vontade de ser jogador dá forças para que os jovens superem qualquer dificuldade. A distância, por exemplo, não é empecilho para quem deseja chegar longe. As peneiras do PSTC recebem candidatos de diversas partes do País. Até de Rondônia.
Marcos Gasparini pretende firmar-se como lateral-direito profissional. Para isso, enfrentou os 37 quilômetros que separam Londrina e Arapongas, onde mora, para participar da segunda etapa da peneira do PSTC. O jovem é uma prova viva de que a persistência faz parte da rotina dos candidatos a craque. No ano passado, foi reprovado no Coritiba. E não desanimou. Tenho que ter fé que um dia vou passar, afirmou o palmeirense, fã de Élder Granja.
Fé que move os jovens boleiros na busca pelo espaço numa equipe profissional. De peneira em peneira. Sem desanimar ou deixar a frustração tornar-se maior que o sonho.


