O clima tenso instalado no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) desde o início do mês obrigou o Ministério Público (MP) a requisitar na manhã de ontem mais uma revista na instituição junto ao 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) de Londrina. Apesar de nada ter sido encontrado, a promotora da Vara da Infância e Juventude, Edna Maria de Paula, teme que os menores aproveitem um suposto relaxamento entre as festas de final de ano para promover uma rebelião. A suspeita da direção do Ciaadi é de que um menor recentemente internado no Centro, apreendido por tráfico de drogas, seja o insuflador dos tumultos registrados nas últimas duas semanas.
Cerca de 15 policiais do Pelotão de Choque realizaram a revista mas, segundo o juiz da Vara de Infância e Juventude, Ademir Richter, nada foi encontrado. A avaliação do juiz, no entanto, é de que ação foi válida. ''Com a presença constante da polícia, os menores sentem-se menos seguros para promover qualquer tipo de tumulto.'' Esta é a segunda operação realizada em menos de uma semana no local. Na última sexta-feira, a PM encontrou vários estoques escondidos nas celas.
Segundo a diretora do centro, Odila Santos Amaral, uma ação semelhante, realizada pelos educadores, havia sido organizada anteontem. Três estoques confeccionados com cabos de vassoura e pedaços de porcelana retirados de vasos sanitários foram encontrados.
Considerado calmo pela diretora até o início de dezembro, o Ciaadi, de acordo com Odila, começou a enfrentar problemas de comportamento com os menores após a chegada de um adolescente de 16 anos, detido por tráfico de drogas. ''O Ciaadi, que tem capacidade para 36 menores, já abrigou até 80 este ano, sem problemas com tumultos. Agora que temos somente 40, o clima está tenso e tememos por rebeliões'', afirmou.
Ela ressaltou que a instituição abriga 10 menores que estavam internados na Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil, também conhecida como Educandário) antes da inerdição, mas que somente quatro deles tem comportamento mais agressivo. Outro foco de possíveis rebeliões seria um outro menor de 17 anos, que precisa de tratamento psiquiátrico e não pode ser transferido do Ciaadi por falta de vagas no Hospital Adalto Botelho, em Curitiba.
As rixas entres facções rivais é outra preocupação. Segundo a promotora, os grupos foram colocados em alas separadas para que confrontos sejam evitados. De acordo com o tenente Nelson Villa, que comandou a revista no Ciaadi, a polícia deve manter, entre o Natal e Ano Novo, viaturas nas proximidades do Centro, para agilizar eventuais atendimentos emergenciais.

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