Dentro de três ou quatro meses, o Pelotão de Cavalaria do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina irá ganhar o reforço de mais seis novos policiais. A turma formada por cadetes teve, na tarde de ontem, no Parque Ney Braga, a primeira aula com um expert no assunto: o 1º tenente do Regimento da Cavalaria da PM do Paraná, Deoclécio Aires, que voltou recentemente de um curso de aperfeiçoamento na França. O Paraná conta atualmente com pelotões a cavalo apenas em Curitiba, Londrina e Cascavel.
Segundo o tenente, o policiamento montado é hoje muito difundido e utilizado na Europa, por exemplo, por ter alguns diferenciais em relação a outras formas de policiamento, tanto preventivo quanto repressivo. Aires exemplificou que o impacto psicológico de um policial montado é muito maior do que um outro que circula a pé ou numa viatura. Outro fator é que o animal é, quase sempre, visto de maneira mais simpática pela população. Por fim, o uso do cavalo amplia o ângulo de visão dos espaços que estão sendo patrulhados.
Aires lembrou que, no Brasil, o policiamento a cavalo é pouco difundido quando comparado com países da Europa, principalmente por causa dos ''receios'' que ficaram da Ditadura Militar das décadas de 60 e 70. A cavalaria era usada para debelar protestos contrários ao regime e isso acabou marcando o policiamento montado. ''Mas a cavalaria ainda é um excelente instrumento de ação'', destacou o tenente, que tem 11 anos de experiência. Em todo o Paraná, apenas Curitiba (com 112 animais), Cascavel (12) e Londrina (18) possuem pelotões de cavalaria, mas a intenção da cúpula da PM é implantar este tipo de policiamento em todas as demais grandes cidades.
Há algumas semanas, Ayres concluiu um curso de aperfeiçoamento na mais importante Academia de Equitação Militar do mundo, baseada na França. O curso foi uma espécie de premiação pelo trabalho que o tenente desenvolveu ao implantar a cavalaria na República de Angola, na África, em 2005.
Entre os alunos cadetes a expectativa com as aulas de equitação era grande. No primeiro dia de aula, os cadetes tiveram um contato inicial com os cavalos e foram alertados sobre a postura ideal e as orientações básicas para dominar os animais. Único entre os seis que já possuia alguma experiência no trato com o animal, o cadete Armando Castelo de Resende comentou que a primeira diferença que sentiu foi em relação à postura. Seu colega, Gabriel Trindade Júnior, apontou que o cavalo deve facilitar o trabalho de policiamento principalmente pelo melhor visão que o policial montado tem. ''Apesar do policial ficar mais exposto o impacto psicológico no patrulhamento parece ser melhor do que quando se está no chão'', comparou.

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