Giovani Ferreira
Pesquisadores que estão trabalhando na área da Barragem do Iraí descobriram que pelo menos duas civilizações de índios pré-históricos, viveram ou povoaram temporariamente a área onde está sendo construída a Barragem do Rio Iraí, localizada na divisa entre os municípios de Pinhais e Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. A constatação foi feita pela equipe de arqueólogos, contratada pela Sanepar, que está fazendo escavações no local, onde foram encontradas peças cerâmicas que possuem aproximadamente dois mil anos.
Também foram localizadas pontas de projéteis, confeccionadas em pedra, que eram utilizadas em equipamentos de caça, como na fabricação de lanças e flechas. Sherman Cordeiro, coordenador da construção da barragem, diz que existem indícios de que esse material possa ter pelo menos sete mil anos.
O professor e arqueólogo Oldemar Blasi, responsável pelas escavações, sustenta a teoria de que as cerâmicas podem ter dois mil anos, mas prefere não opiniar sobre a suposta idade dos materiais de pedra, também conhecidos por líticos. A afirmação do professor é que independentemente da idade, os indícios arqueológicos encontrados validam a tese de que duas culturas distintas, em épocas diferentes, já habitaram a região em outras épocas.
De acordo com o professor, a civilização de dois mil anos atrás deveria viver em grupos de 25 ou 30 pessoas. Na avaliação de Blasi, eles eram nômades e o fato de viverem em pequenos grupos teoricamente facilitava a migração atrás do alimento.
Já os índios que antecederam esse nômades, poderiam ter sido os primeiros habitantes da área, configurando a prática do semi-sedentarismo, com uma permanência mais demorada no local. Inclusive, existe a possibilidade, dessas pessoas terem dado início a algum processo de agricultura.
Historicamente a descoberta feita na barragem deve contribuir para os estudos que tratam da relação que a colonização de Curitiba teria com a região litorânea. Segundo o professor, existem estudos e teses que defendem a migração de povos do Litoral para Curitiba ou vice-versa. A região de Curitiba, neste caso mais especificamente as áreas próximas da barragem, eram procuradas pelos índios por causa da comida e água em abundância.
Os elementos recolhidos foram encontrados em apenas um dos três sítios arqueológicos demarcados na área da barragem. Nos próximos três meses, a equipe deve explorar outros dois, para então a Sanepar dar início a inundação por completa do reservatório de água. Todo o material retirado das escavações vai passar por uma análise laboratorial, que irá definir a idade aproximada de cada peça. Depois de devidamente catalogados, os materias irão para o acervo do Museu da História Natural do Município de Curitiba, no Capão da Imbúia.
No Paraná os registros mais antigos de indícios arqueológicos foram documentados durante a construção da barragem de Itaipu.

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