São Paulo (Agência Folha) Apesar da chuva, cerca de 40 mil pessoas participaram ontem da passeata ''Brasil Sem Armas', promovida pela organização não-governamental Viva Rio, que percorreu toda a orla de Copacabana (zona sul), de acordo com a avaliação do comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar, Dario Cony dos Santos. O objetivo do protesto foi sensibilizar a Câmara dos Deputados para não adiar mais o projeto pelo desarmamento no país e aprovar o acordo fechado pelo Senado.
A caminhada, que começou às 11 horas e terminou por volta das 14 horas contou com parentes de vítimas de armas de fogo, além autoridades e artistas. A Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil montou um estande no calçadão da praia de Copacabana, para recolher armas. Dois delegados e seis agentes orientaram as pessoas sobre como se desfazerem delas. Dezesseis pessoas cadastraram 21 armas, que devem ser entregues em breve aos policiais.
''O cidadão está se conscientizando da importância do desarmamento. Em poucas horas foram entregues 33% do total de armas arrecadadas em todo o ano passado. Essa conscientização se deve também às medidas que o governo do Estado toma em relação à restrição do uso de armamento'', disse o delegado, Luiz Carlos dos Santos.
O Estatuto do Desarmamento foi aprovado no Senado em julho, mas não entrou na pauta para votação na Câmara. Pelo projeto, passa a existir apenas o porte de arma federal (hoje é concedido também pelos Estados). Os crimes de portar, deter, fabricar, vender e emprestar arma de fogo, acessório ou munição tornam-se inafiançáveis. Os secretários estaduais de Segurança, no entanto, querem que os Estados continuem responsáveis pela emissão do porte de arma, que rende R$ 1,5 bilhão por ano.
Os atores da novela ''Mulheres Apaixonadas', da Globo, se juntaram ao protesto ''Brasil Sem Armas'. A idéia foi do autor da trama, Manoel Carlos, que vai incluir a participação na novela.
A chegada do secretário de Segurança Pública do Rio, Anthony Garotinho, causou tumulto. Ele iniciou sua caminhada na altura da Rua Bolívar, junto de sua filha Clarissa Matheus e foi vaiado, precisando de escolta policial.

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