Pele de peixe tem efeito antimicrobiano
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de julho de 2005
Roberta Pennafort<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro- Estudo realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC) indica que moléculas encontradas no muco que reveste a pele de peixes são capazes de destruir bactérias e fungos causadores de doenças em humanos e também em peixes. A partir dessa constatação, os pesquisadores esperam formular remédios produzidos dessas substâncias.
Os cientistas já sabem que o pacu, o tambaqui e o tambacu, peixes de água doce de origem amazônica, têm o muco com as propriedades antimicrobianas. Proteínas presentes nele atuam sobre a membrana das bactérias de diferentes formas, mas o resultado é o mesmo: eles atacam e destroem o inimigo, livrando o organismo da contaminação.
Acredita-se que isso valha tanto para bactérias que aparecem em peixes quanto em humanos. Segundo Cristiane Martins Cardoso de Salles, coordenadora do estudo, a expectativa é chegar à fórmula do primeiro fármaco dentro de cinco anos. ''Nos EUA, já foi demonstrado que moléculas presentes no muco de espécies como o bagre africano têm efeito sobre microorganismos que parasitam humanos'', explica.
No próximo semestre, o extrato será testado contra microorganismos que causam infecção hospitalar (Staphylococus aureus) e tuberculose (Mycobacterium tuberculosis). Seguem também pesquisas com relação às bactérias que atacam peixes.
Os peixes usados na pesquisa são fornecidos por criadores do Rio.


