Pele de onça caçada em 1930 passa por processo de conservação em Rolândia
Material passou por higienização e hidratação para conservar a peça, que ajuda a contar um pouco da história do município
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Material passou por higienização e hidratação para conservar a peça, que ajuda a contar um pouco da história do município

A pele de uma onça caçada há mais de 90 anos durante expedições para desbravar as matas de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) passou por um procedimento de conservação no Museu Histórico do município. Com partes do couro rasgadas, o material passou por uma higienização e hidratação completa para conservar a peça, que ajuda a contar um pouco da história dos primeiros anos do município.
A museóloga Luana Damião foi responsável pela restauração da pele da onça, morta na década de 1930 por Oswald Nixdorf, pioneiro da cidade de Rolândia. Ela explica que o nome correto do procedimento é conservação curativa, já que uma parte da pele da onça estava rasgada. Segundo ela, é feita a higienização e hidratação do couro para, na sequência, juntar as partes resgatadas utilizando produtos específicos.
Ela explica que o trabalho é muito minucioso, já que é todo feito a mão e de forma com que a peça possa durar muitas outras décadas. A conclusão do trabalho, segundo a museóloga, leva cerca de três semanas. “Entre as etapas a gente tem um período de guarda a peça, já que, por exemplo, se hidratar o couro tem que esperar esse hidratante penetrar, secar e ver se tem a necessidade de hidratar mais. Então é um processo bem minucioso e que demora bastante, exigindo muita paciência”, detalha.
Caçada
Damião aponta que essa é a primeira vez que a peça passa por esse tipo de conservação curativa, sendo que ela deve passar por inspeções frequentes de maneira preventiva para avaliar a presença de algum inseto ou mofo. “A partir de agora, que foi feita essa ação mais incisiva, a gente mantém os cuidados com a conservação preventiva”, explica.
Ela detalha que a onça foi caçada por um pioneiro durante as expedições para desbravar as matas. “Hoje a caçada das onças não é permitida, mas naquele contexto histórico, naquela época, fazia sentido para eles, então por isso temos essa peça aqui”, afirma.

A pele tem 1,20 metro de comprimento e 70 centímetros de largura e foi doada pela filha de Oswald Nixdorf, Gisela, integrando o acervo do Museu Histórico de Rolândia desde setembro de 1984.
Técnicas diferentes de conservação
A museóloga explica que, nos bastidores, cada peça do museu demanda técnicas diferentes de conservação, com a aplicação direta de ações intervencionistas para manter o bom estado dos itens em exposição.
“O trabalho dentro do museu envolve sempre verificar as peças e manter uma rotina constante de conservação preventiva. Quando acontece algo com a peça, quando alguma está mais danificada, a gente entra com essa parte curativa e, caso necessário, é feito um trabalho de restauro”, esclarece.
A especialista detalha que a restauração é sempre o último passo, já que o objetivo é mantê-las o mais próximo possível do original. “A gente preza pela conservação justamente para não precisar restaurar”, complementa.

Recomendações
Luana Damião orienta ainda que é por isso que existe a recomendação nos museus para não tocar nas peças expostas, assim como não tirar fotos com o flash ligado. “É justamente para contribuir para a conservação dessas peças. A gente tem gordura na mão, então isso vai deixando marcas na peça, além de trazer agentes que podem degradá-la com o tempo”, explica. No caso do flash, o excesso de luz também pode auxiliar no processo de degradação.
“A gente quer que as pessoas visitem cada vez mais o museu, mas são realmente ações de conservação para que as peças durem e as pessoas possam continuar visitando o museu daqui a 100, 200 ou até 300 anos”, garante.
A pele está exposta no Museu Histórico de Rolândia e foi retirada apenas para o processo de conversação curativa. “A gente está com algumas ideias de reconfigurar a nossa exposição de longa duração, então talvez vamos achar um novo espaço para a peça, vamos colocá-la com mais destaque”, explica.
Visitação
A visitação no museu, localizado na Avenida Presidente Getúlio Vargas, 2.170, ao lado da antiga Estação Ferroviária, pode ser realizada de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, de maneira gratuita. O agendamento é necessário apenas para grupos por meio do telefone 3255-5516, tanto por ligação quanto por WhatsApp.
“Por ser o Museu Histórico de Rolândia, a gente conta a história de Rolândia aqui. A gente foca bastante no pioneirismo, de como as pessoas começaram com as plantações de café”, explica.


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.


